ARTE DAS LETRAS

sábado, 16 de janeiro de 2016

CONTOS QUE TE CONTO - OS QUERIDINHOS DA MAMÃE

MINICONTO

                       OS QUERIDINHOS DA MAMÃE


Valéria chegou em casa, jogou a mochila com os livros sobre o sofá e foi direto para a geladeira. Pegou um iogurte e foi para a sala tomá-lo. A garota estava de mau humor. A mãe, Rosalva, entrou na sala e foi logo dando bronca:
- Valéria, você chega da rua,  nem lava as mãos e vai direto mexer na geladeira! Vai tomar isso agora? Depois não vai ter fome na hora de almoçar. Olhe essa mochila suja, que vocês jogam em qualquer lugar, depois vem por em cima da minha poltrona, já disse que vocês têm que pendurar as mochilas lá no quarto de vocês! É por isso que esta sala não para arrumada. Menina, você não vai trocar esse uniforme?!  Vai deixar cair esse iogurte nele. Semana passada mandei lavar sua saia no tintureiro e custou uma grama. Saiu mais cedo da escola? Chegou mais cedo hoje...

- Mãe! Dá um tempo! Você fez um milhão  de perguntas e reclamou um trilhão de coisas.  Poxa! Nem deu para saborear meu iogurte!
- Mas você e seu irmão só fazem besteiras! Tenho que bancar a babá de vocês dois o tempo todo!
- Tá bom, dona Rosalva, vou tirar o uniforme, lavar as mãos, guardar minha mochila e... e... e  o que mais que tenho que fazer? Ah! Se vou ter fome no almoço? Vou! Vou comer, sim, mas só se a comida não for com beterraba, agrião, jiló, brócolis, fígado e outras coisa horríveis que a Neide cozinha. Não tô a fim de comer couve, nem salada de feijão. Quero bife com batata frita ou maionese de batata.

- Isso não faz bem à saúde... Você precisa...
- Mãe! Mãe! Mãe!  Não se preocupe com comida para mim, vou à rua e como um baita sanduiche, com tudo que tenho direito. E eu tô com grana que dá pra pagar isso. Sacou?
- Deixe de ser besta! Não vai comer porcaria na rua, não!  Ande! Vá cuidar da sua vida e deixe de malcriação. Daqui a pouco chega seu irmão e começa tudo de novo.

Rosalva chamou Neide e mandou  fazer batata frita para os seus dois filhos esfomeados.
- Nossa, dona Rosalva! Esses meninos não enjoam, não?
Nisso chegou Marcos, a cena foi a mesma da irmã, exceto que ele preferiu um refrigerante ao iogurte.   A mãe não disse nada.

Valéria desceu do quarto, entrou na sala e fez uma escândalo:
- Ah, dona Rosalva, com o filhinho preferido não tem bronca!  A marcação é só comigo!
O irmão, todo cheio de si, pilheriou com a irmã:
- Ora, minhoca ambulante, faz uma operação e muda de sexo. As mãe preferem os filhos meninos, sabia não?
- Idiota!

A mãe mandou que parassem com aquela briga boba, e disse, calmamente, ao filho que fosse trocar o uniforme e lavar as mãos. Neide ia servir o almoço.

À noite, Valéria falava ao celular, Marcos jogava um game no seu celular e Rosalva assistia à TV.  Embora todos estivessem  juntos na sala, estavam separados pela a atenção que davam ao que faziam.
 
Chega o pai. Cansado atira a pasta de trabalho no sofá, senta refestelado, descalça os sapatos empurrando-os para o lado e grita:
- Neide, me traz  água, mas traz a garrafa e o copo, tô morto de sede.

Os filhos olham para a mãe esperando aquele estouro na boiada. Rosalva, quieta, com a cara enfiada na TV, fingia nada ver ou ouvir à sua volta. Quando a filha ia ensaiar falar, Rosalva levantou dizendo:
- Meu bem, tá com fome? Vou ver se o jantar já tá pronto.
E a mãe saiu da sala cantarolando uma musiquinha da novela.
                                               
                                                     FIM

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

                                    

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