ARTE DAS LETRAS

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - ÚLTIMO CAPÍTULO


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -   Romance

                                      Capítulo FINAL

                                      ... continuação

Chegou no meio do terreiro, chocalhou o pandeiro segurando-o  para o alto, com a outra mão segurou a saia, deu um rodopio abrindo a roda da mesma e cantou com voz afinada e melodiosa:

Essa ciranda quem me deu foi Lia
Que mora na ilha de Itamaracá.
Me criei cantando
Entre o céu e o mar
Nas praias da ilha de Itamaracá.
Agora chamo Ariel,
Que venha pra roda,
Vem mãe, vem cantar...
Essa ciranda quem me deu foi Lia
Que mora na ilha de Itamaracá...

Todos riram, aplaudiram e se puseram a cantar e rodar. Elizabete pegou a mão de Cauê e saíram rodando e cantando. A ciranda se formou com alegria.

E chegou o dia de Elizabete ir embora. Cauê lhe disse que fossem para as pedras no seu retiro.

- Elizabete, você não gosta de peixe?
- Gosto, por que?
- Você não quer comer todos os dias o peixe que eu pescar pra gente? Por que você não abandona seu trabalho e vem de vez para cá? Elizabete tô lhe pedindo que você não vá embora. Fica!

- Você está me pedindo em casamento?
- Acho, acho que estou!
- Então vou comer peixe todos os dias do resto da minha vida. Faço uma proposta a você, vamos repovoar  Pedra Branca?  Nossos filhos seguirão a trilha do pai, você.  Está bom assim?

E a moça se pendurou no pescoço do jovem pescador beijando seu rosto e sua boca , beijos há tanto tempo reprimidos. Cauê envolveu Elizabete em seus braços e ficaram enlaçados... E se beijaram e se beijaram... completamente enamorados.

- Mas tenho que ir à capital encerrar minhas coisas lá. Avisar  no trabalho que vou sair e não voltar mais. Tenho que pegar coisas minhas em casa. Preciso fazer esta viagem de ida para voltar.   Só volta quem vai!

E Cauê  pensou em Donato e Açucena que se foram e não voltariam mais.

  
 Um dia todos moravam na ilha, depois alguns  foram saindo, os últimos se foram dramaticamente, até que a ilha de Pedra Branca ficou vazia e destruída. Agora, cada um que se foi veio voltando. Foi preciso partir para voltar com a certeza no coração: Pedra Branca pra sempre  o lar!


                                             FIM

by Didi Leite


Todos os direitos registrados na Fundação Biblioteca Nacional do Estado do Rio de Janeiro.
  

    

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