ARTE DAS LETRAS

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - Penúltimo Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA

                                             PENÚLTIMO CAPÍTULO

                                                ... continuação

Elizabete veio dizer a Cauê que ia embora.
- Você tem que ir mesmo?
- Sim, tenho que voltar ao trabalho. É com ele que me sustento. Sou sozinha no mundo. Perdi meu pai quando era muito pequena, nem lembro dele. Ficamos eu e minha mãe. Há uns cinco anos ela morreu. Fiquei só. É claro que tenho tios, tias e primos, mas não são minha família, são parentes.  Família já não tenho mais.  Preciso trabalhar!

- Por que não fica aqui com a gente?
- E vou viver de que? Estou aprendendo a jogar tarrafa de camarão...
- Já sei, já vi. Vi, também, que você quis que o Januário ensinasse a você.
- Ele se ofereceu e eu aceitei. Qualquer noite dessas queria ir pescar com vocês.
- Não! Isso não! Pescaria não é coisa pra moça. Eu não quero que você vá!

Ficou um silêncio estranho entre os dois. Cauê baixou a cabeça e voltou a tocar sua viola.
- Cauê, você deixaria que fizéssemos uma ciranda? Para comemorar o renascer da vida na ilha e também para minha despedida.
- Aposto que isso é ideia de Jani.
- Digamos que é ideia nossa, das mulheres. Tem que falar com o Justo para ver se ele concorda, não é?

De repente Cauê sentiu vontade de abraçar e beijar a moça.
- Vou conversar com Justo, mas tenho certeza que ele aceita.
Aí, Elizabete sorriu e disse que o rapaz era maravilhoso e deu-lhe um beijo no rosto. Era a terceira vez que ela o beijava. Cauê ficou afogueado e segurou a moça pelos ombros e beijou longamente seus lábio, no que foi correspondido. Elizabete, muito feliz e admirada, deu boa noite e foi andando para sua casa. Quando já tinha dado uns vinte passos  parou, olhou para trás e disse sorrindo:
- Eu te amo! Eu te amo!
Cauê sorria por dentro e por fora de alegria, e tirou da sua viola uma música alegre, tocada com força e alta, bem alta.

A ciranda já estava marcada. Seria no sábado daquela semana. Todas as moças se preparando para aquela a noite. Tudo era motivo de enfeite. O terreiro foi enfeitado com bandeirolas coloridas. Não haveria fogueira, agora já tinham luz que a tudo clareava. Um problema à vista: quem puxaria a ciranda? Ninguém se candidatava. Jani deu a ideia de que Elizabete cantasse. Ela se recusou, pois não sabia improvisar versos e só conhecia uma ciranda. Então, dona Ceição disse que ela só abrisse o canto, que depois todos iam seguindo. Ariel, com imenso barrigão do bebê, continuaria.  As roupas já estavam prontas, todas as moças se arrumando, os homens riam da agitação delas. Elizabete se vestiu quase igual as moças da ilha. Vestiu uma saia de algodão e renda branca, rodada e comprida. Uma blusa cigana, igualmente, branca, que deixava ver um colo moreno e bonito. Ombros bem feitos apareciam do decote. Cabelos soltos com uma faixa colorida ao redor do alto da cabeça e descalça, pés nus no chão. Muito bem maquiada e lábios com seu batom vermelho. Estava linda! Nas mãos trouxe um pandeirinho, que havia comprado no bazar da cidade, especialmente para àquela noite.  Chegou no meio do terreiro, chocalhou o pandeiro segurando-o  para o alto, com a outra mão segurou a saia, deu um rodopio abrindo a roda da mesma e cantou com voz afinada e melodiosa:

                  continua...


by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

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