ARTE DAS LETRAS

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 40o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA

                                                  40o. Capítulo

                                                  ... continuação

Já se passara sete meses daquele acidente, agora as mudinhas na mata já estavam brotando e crescendo. Era o verde crescendo em esperança naquele lugar. As casas já estavam quase todas erguidas. Faltava pouco para ficarem prontas. O tempo do defeso acabara e já podiam pescar livremente e pegar camarão. Elizabete quis aprender a jogar tarrafa de camarão, era menor e mais leve. Foi Januário que se propôs a ensinar isso a ela. Os dois estavam dentro d´água, e, a moça tentava e errava. Ela e Januário riam da falta de habilidade dela. Cauê passou e ficou olhando aquilo e no seu coração sentiu ciúme. Perguntava-se por que ela não pediu isso a ele? Por que estava com Januário? Cauê fechou a cara e continuou seu caminho rumo às obras.

Sebastião foi à Pedra Branca conversar com Zé da Conceição e Cauê. O escultor queria voltar para a ilha.
- Depois que sai daqui perdi muito da minha inspiração. Lá na cidade não consigo me concentrar. A mãe também não está feliz lá. Ela sente saudades do mar, da pesca, da ilha, de tudo aqui. Ariel está esperando nosso filho e ela quer que ele nasça perto do mar. Posso construir, também, uma casa para nós aqui?
- Sebastião, não precisa. Fizemos as mesmas casas de antes, menos a de vó Miranda, no seu lugar construímos uma casa pra Elizabete que quer ter uma casinha aqui. Quem quiser voltar ao ninho, ao lar, há lugar pra todos. Esta ilha é e sempre será nosso ninho. Nenhum filho daqui é recusado a voltar. Disse Cauê.
Sebastião agradeceu comovido. Zé ficou feliz porque enfim ia ter sua mulher por perto. Sua vida, sua família, sua casa voltava ao seu lugar!

O tempo passava e tudo ia tomando jeito, tudo se arrumando. As casas prontas, os ilhéus voltando, a mata crescendo, o verde se espalhando. As marcas das cinzas apagadas!

Todos já tinham voltado e moravam em suas novas casas.
 Cristóvão pediu para morar em Pedra Branca. Ele só sentia bem entre seus irmãos da ilha.  Até Margarida, também grávida, pediu para ficar sua gravidez na ilha. Pedrinho vinha todo fim de semana ficar com ela.

                     Jani conversando com Elizabete e Ariel, falou que deveriam fazer uma ciranda bem bonita para comemorar a reconstrução da ilha e o retorno de todos.
- Acho que Cauê e Justo não vão aceitar. Disse Ariel.
- Mas deveriam aceitar. Houve uma fatalidade, mas a vida tem que continuar. Continuar com amor e alegria. Ponderou Elizabete.
- Elizabete, por que você não fala isso com Cauê?
- Jani, eu posso falar com ele. Se vocês quiserem... Era bom ter uma ciranda, pois vou embora da ilha, seria uma despedida.
- Você vai embora? Por que? Indagou Ariel.
- Tenho que voltar ao meu trabalho. Tirei licença e férias. Pedi designação para trabalhar aqui, mas agora que tudo já está reconstruído, tenho que voltar para a cidade. Mas podem deixar que vou falar com Cauê.
Naquela noite, Jani contou para Cauê que Elizabete ia embora e explicou os motivos. Cauê ficou mudo e pensativo, depois deixou escapar, em voz baixa, um comentário:
- Ela vai fazer falta. Ela não devia ter que ir. Nunca mais queria ver alguém se ir. Logo ela!
Há muito tempo que Jani percebera que o irmão estava gostando da bióloga.

Cauê ganhou de Sebastião uma viola nova e à noite o rapaz ficava dedilhando melodias. Numa noite dessas, Elizabete veio dizer a ele que ia embora.

- Você tem que ir mesmo? Perguntou Cauê.

                                                          continua....

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

Nenhum comentário:

Postar um comentário