ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 39o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -  Romance

                                39o. Capítulo

                               ...  continuação

- A Elizabete foi buscar alguma coisa em Boqueirão, logo ela vem aí. Disse Jani.
- Minha irmã, você precisa ir ver nossa mãe em Caramujos, ela tá lá.
- Justo emprestou o barco e  Januário vai me levar lá.
- Jani, leva esta escultura e manda a mãe guardar pra mim.

O irmão ficou olhando a irmã e Januário, e viu que alguma coisa neles havia mudado. Estavam mais sérios, mais adultos. Jani não se  comportava mais como aquele mocinha agitada, que corria como uma cabrita pela ilha. Januário tinha perdido o ar risonho, que de tudo ria e debochava. Ele tinha no olhar uma nuvem de tristeza.   Cauê voltou ao trabalho e Januário foi levar Jani a Caramujos.

Elizabete chegou de Boqueirão trazendo alguma coisa numa sacola. A moça chamou Cauê e juntos foram sentar numa pedra.

- Cauê, o dinheiro que ganhei com a venda do sítio ao Sebastião, guardei e agora, queria pedir uma coisa a você.
- Peça Elizabete, o que é que você quer?
- Queria que quando vocês erguessem as casas novamente, deixasse construir uma pequenina para mim, quero ter uma casinha aqui, para eu poder vir  sempre e estar  por  perto para ajudar a vocês a cuidar da ilha. Eu bebi água da nascente aqui de Pedra Branca e acho que isso fez me tornar filha desta ilha. Meu dinheiro dá para custear essa obra, uma casinha.

- Claro! Elizabete.  Você é uma amiga da gente, sempre foi do nosso lado. Também não precisa ser uma casinha tão pequenininha assim ( os dois riram nesta hora). Eu gosto de você e sempre apreciei seu  modo sério e honesto de ser. Sua casa vai ser construída. Você vai ser uma caiçara! Caiçara de Pedra Branca!
- Obrigada Cauê!
E pela segunda vez Elizabete deu um beijo no rosto do rapaz, que ficou completamente envergonhado. Aí, Elizabete sorrindo falou de uma surpresa:

- Senhor Cauê, tenho um presente para você! Não sei se vai gostar, mas é de coração.
Elizabete abriu a sacola e de dentro tirou um cachorrinho, filhotinho ainda, preto com grandes manchas brancas.
- É seu. Dê nome a ele. Vai ser seu fiel escudeiro. Não é de raça, mas é muito bonitinho. Comprei em Boqueirão para você.
Cauê ficou emocionado, lembrou de Fininho e logo começou a brincar com o bichinho.
- Poxa! Obrigado Elizabete, só você iria me fazer feliz nos dias que estamos vivendo. É muito bonito o danadinho! E que nome a gente dá pra ele?
- Danadinho.
- Como é? Danadinho?
- Isso mesmo, você sem querer achou um nome engraçado, Danadinho. Seu cão vai se chamar Danadinho.

E Danadinho já cheirava os pés do seu dono. E os dois riram daquilo.

Todos os dias, Jani vinha com Justo trazendo garrafões de refresco para os trabalhadores. Elizabete vinha do continente trazendo melancia e abacaxi para distribuir com o pessoal que trabalhava na recuperação da ilha. O calor era intenso e era preciso que todos se hidratassem, o trabalho era puxado. As refeições eram enviadas pelo prefeito em forma de quentinhas.

O irmão mais novo de Cauê e Jani, Quincas, que já estava ficando um rapazinho, quis vir para ajudar. Ele ficou junto à Elizabete aprendendo a preparar as mudas para o replantio da mata. Eles fizeram do galpão um viveiro de mudas. Aos poucos, foram plantando uma a uma, cada mudinha. Isolaram a área já plantada para não pisarem. Danadinho tinha que ficar preso, pois o cãozinho estava em fase de crescimento e tudo era brincadeira. Ele destruía tudo a sua volta.

A área já estava quase toda limpa para começarem a construção das casas. Elizabete ligou para dois amigos engenheiros e pediu que viessem dar orientação de como construir as novas casas. Eles aconselharam a não fazerem construções geminadas. Fizessem as casas separadas, era mais seguro.

Um fim de tarde Elizabete, Jani e Quincas, cansados e suados, resolveram cair na água e nadar um pouco. Cauê olhava tudo de longe e cada vez mais admirava Elizabete. Ele sentia ternura por ela.

                                 continua...


by Didi Leite

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