ARTE DAS LETRAS

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 18o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA  -  Romance

                                                 18o. Capítulo

                                                 ... constinuação

- Sabe, Donato, eu não quero namorar agora, não. Acho que não tenho pensamento nisso.
- Você não gosta de mim, é isso. Pode dizer.
- Não! Eu gosto de você.
- Mas não gosta pra namorar. Gostar pra namorar é diferente.
- Eu não sei o que é isso de gostar diferente. Eu gosto de todo mundo, gosto da Açucena, gosto das outras amigas, gosto do Cauê, aquele danado, gosto do pai, gosto da mãe e gosto de você também. Pra mim tudo é gostar. A gente não gosta diferente. Como é gostar diferente?
- Gostar diferente é amar. É se interessar pela outra pessoa.
- Ah! Isso eu não sei. Acho que, então, eu nunca vou amar ninguém. Gosto de todo mundo. Olha, a pessoa que eu mais gosto é do Cauê. Ele briga comigo, me chateia, toma conta da minha vida, me dá carão, mas é dele o meu gostar diferente.
- Isso é amor de irmão.
- Pode ser. Quando eu ficar maior, mais velha de idade, pode ser que eu sinta esse tal gostar diferente. Agora não. Você vai ficar zangado comigo porque  não quero namorar com você?  Não fica, não. Eu gosto muito de você, Donato. Gosto como meu melhor amigo. Mas gosto mais de Cauê, entende?
- Entendo, Jani. Deixa isso de namoro prá lá.
- A gente vai ser sempre amigos.
Dito isso, a moça levantou-se e saiu andando devagar e depois correu para encontrar as amigas. Jani não contou para elas a conversa que teve com Donato.

Era quase fim da semana e a luz já estava instalada na ilha. Ainda não estava sendo usada. Mas a expectativa entre os moradores era grande. Em cada casa já havia um ponto de luz para colocar uma lâmpada. Ninguém mexia em nada. Os homens da companhia de eletricidade avisaram que não tocassem sem nada. Fez uma série de recomendações e avisou dos perigos da eletricidade. Que esperassem o prefeito ir à ilha para falar com eles. Naquele dia o céu estava carregado, ventava muito: prenúncio de chuva. Os homens acabaram o serviço da instalação e foram embora olhando para o céu.  

Vó ia cantar ciranda, mas o tempo não dava mostra de melhorar, Se chovesse não ia ter  ciranda. 
Às três horas da tarde começou a chover forte, ventar muito. As ondas do mar estavam agitadas, quebravam na praia com mais de um metro de altura. Os raios começaram seguidos dos trovões. Elizabete parou seu trabalho na mata, queria sair debaixo daquelas árvores depressa, ela sabia o perigo que corria ali. A moça correu o mais que pode e entrou no galpão. Sua roupa estava molhada. A camiseta branca que usava era fina e encharcada grudou no corpo. Ela  puxava água dos cabelos querendo que parassem de escorrer pelo rosto e costas. Mesmo chovendo fazia muito calor. A moça foi mais para o fundo do galpão, já que a chuva estava entrando pelas laterais abertas. Ela sabia que aquilo ia passar, era só questão de tempo. De repente, Cauê surgiu correndo, entrou no galpão querendo saber se ela estava bem.

- Você está bem? Tomou muita chuva?
- Peguei no caminho até aqui. Vim correndo, mas não adiantou. Mas, daqui a pouco, isso passa e a roupa seca.
- Você quer ir lá pra casa? Tem medo de raio e trovoada?
- Não, obrigada. Fico aqui mesmo.

O rapaz viu o corpo da moça delineado sob a camiseta molhada, que assim se tornava transparente. Ficou encabulado. Parecia que Elizabete estava nua da cintura para cima. Ele evitou olhar, mas seus olhos desobedientes corriam o corpo dela.  Ela notou que ele a olhava. Notou também que ele estava envergonhado de olhar o que olhava. Cauê resolveu sair dali:
- Bem, então vou lá pra casa. Tem que ajudar a mãe. Às vezes pinga goteira...
 O rapaz saiu correndo para casa. Elizabete ficou tocada com aquele comportamento dele.

Já eram cinco horas quando a chuva começou a estiar, mas ainda ventava um pouco. A lancha que viria buscar a bióloga não chegava, estava atrasada. Elizabete estava meio aflita com aquilo, e se eles não viessem? E se viessem à noitinha? Ela ia ter que atravessar aquele mar à noite? Tinha medo. Sua roupa já estava secando, já desgrudara do corpo. Cauê voltou ao galpão, mas levou Jani junto com ele.  Jani levava uma toalha para ela. Quando os viu, Elizabete falou aflita:

- Minha lancha não veio! Está atrasada, já passam das cinco...
- Eles não vieram por causa das pedras. Chuva e  vento nesse mar é um perigo. Fica fácil de bater nas pedras. Disse Cauê.
- E agora, meu Deus?! Vou passar esta noite na ilha? Sei que não é para dormir aqui. Tenho que ir embora todos os dias!
- Mas uma noite não é nada. A vó não vai se importar. Foi culpa da chuva.
Olha, você pode dormir lá em casa. Vou lá falar com a vó. Disse Jani, que saiu direta para a casa da idosa.

Elizabete, não precisa ficar nervosa. Isso acontece. Você não tem culpa.
Vamos lá pra casa. Falou Cauê calmamente com a moça.
- Não. Ainda não. Está ficando claro, o mar está mais calmo, a chuva passou. Pode ser que minha lancha chegue por aí. Vou esperar aqui.
- Hoje, à noite, vai ter ciranda o tempo melhorou.
Os dois falaram sobre a ciranda e Cauê explicou à moça como era a festa. Jani apontou no terreiro, voltando em carreira com a resposta da vó.

- Olha, a vó disse que isso não tem nada, não. Mas é melhor você dormir  lá na casa de Açucena. 
                                                             continua...

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

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