ARTE DAS LETRAS

domingo, 8 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 17o.Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA  -  Romance

                                           17o.Capítulo

                                           ... continuação


A moça passou o braço nos ombros do rapaz e continuou falando:
- Meu amigo, se quiser, pode falar que eu ouço.

Cauê ficou sem jeito, mas se sentiu acarinhado pela doutora. Agora, ele não sabia mais falar. O contato do braço da moça sobre suas costas lhe dava uma  sensação agradável.

- São essas mudanças, tudo ao mesmo tempo. Tenho receio pela minha gente. Não quero que nada aconteça de mal a minha ilha. Aqui é minha casa, meu ancoradouro, meu trabalho, meu ninho, meu mundo. Não saberia viver fora daqui.
- Mas nada de mal aconteceu. As coisas mudam. Nada fica igual para sempre. A vida, o mundo, a natureza vai andando, vai caminhando e quando anda, quando gira, alguma coisa sempre muda. Nós mesmos mudamos. Primeiro somos crianças pequenas, depois ficamos jovens, adultos, envelhecemos e, naturalmente, morremos, Nós não somos a mesma coisa para sempre. Isso é a vida. Não tema, meu amigo.
- É como eu disse, é besteira minha.

Nesta hora, Elizabete tirou o braço dos ombros de Cauê e segurou sua mão entre as suas. O rapaz ficou mais sem jeito ainda. Quis soltar sua mão, mas a moça a prendeu e segurou mais forte. Depois, ela deu um beijo no rosto do jovem pescador, dizendo:
- Gosto muito de você. Não quero vê-lo assim. Cadê aquele Cauê cheio de fibra? Você é um homem de caráter reto, honesto e tem um coração profundamente bom. Vamos lá para a praia? Chega de ficar aqui sozinho.
Vem comigo.
Cauê estava encabulado, sem graça, não sabia o que dizer e fazer ante aquele beijo. Atendeu ao pedido da moça, levantou-se e os dois foram caminhando para a praia.

Elizabete seguiu para a mata, e Cauê viu que todos já haviam ido para suas casas. Somente Sebastião estava trabalhando um entalhe, sentado sob uma árvore. O pescador foi até lá para ver o trabalho do amigo.

- O que você está entalhando aí, Sebastião?
- É um rosto. Isso é pra você. Disse o artista da madeira.
- Um rosto? Pra mim? Rosto de quem?
- Ah, isso depois você vai ver, Cauê, pode me fazer um favor?
- Claro! Diz aí, o que você quer?
- Amanhã, quando você for à cidade, vou lhe dar dinheiro e quero que você compre verniz e tintas.
- Compro sim, mas põe o nome do verniz e das tintas no papel.
- Vou escrever. Você compra lá no bazar. É material de artesanato.
- Sebastião, onde tão Jani e as amigas?
- Tão tudo por aí alvoroçadas com as novidades. Donato é que estava procurando por você.
-Tá bom.Vou indo ver meu pessoal em casa.

De longe Açucena e Margarida olhavam Cauê. Elas viram
ele e Elizabete virem de trás das pedras. Açucena estava triste, pensava que os dois estavam de namoro. Mas a moça nada comentou com a amiga. 

Jani vinha da nascente e viu Elizabete fotografando umas flores. A irmã de Cauê não perdeu tempo, foi chegando perto e falou alto:
- Oi, Elizabete! Ta fazendo o quê?
- Oi Jani! Estou fazendo fotos de umas flores silvestres nativas aqui  da mata e que não conheço. Vou estudá-las.
- Sabe? Eu queria saber o que você passa na cara, nas bochechas para ficar rosadas assim. É pintura, é?
- Não! É sol mesmo. Fico vermelha com o calor e o sol. Minha pela é clara e não estou acostumada a pegar sol direto. De dia só uso batom. Pintura no rosto só à noite, quando tenho que sair, isso lá na cidade.
- E pinta com o quê?
-  Isso é coisa complicada para lhe explicar aqui.
- Queria que você me ensinasse isso.
- Está bem. Qualquer dia trago meu estojo de pintura, que está lá na cidade e mostro para você e suas amigas. O nome disso é maquiagem, em vez de dizer pintura de rosto, a gente chama de maquiagem.
- Tá bom. Olha vou esperar, hem!

E Jani saiu correndo para contar para as amigas que ia aprender a fazer maquiagem, mas no caminho foi interpelada por Donato:

- Jani, você ficou de me responder sobre o nosso namoro.
A moça parou, ficou séria e sentou-se numa pedra e falou ao rapaz:
- Sabe, Donato, eu não quero namorar agora, não. Acho que não tenho pensamento nisso.

- Você não gosta de mim, é isso. Pode dizer.

                                                      continua...

by Didi Leite

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