ARTE DAS LETRAS

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 14o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -   Romance

                                            14o. Capítulo

                                             ... continuação

O rapaz ficou sem graça e paralisado.
- Onde posso usar um banheiro?
Aí, Donato que ouviu  e vendo que Cauê não sabia como agir, falou para o amigo:
- Cauê,  tem o banheiro da professora lá no galpão! O rapaz acordou e levou a moça até o galpão.
- Este banheiro é da professora quando  vem ensinar as crianças. É simples, mas pode usar.
A moça entrou no banheiro e viu que a porta não tinha trinco. Estava limpíssimo e tinha aroma de capim limão. Ao lado, um balde feito de zinco cheio de água. Ela também entendeu que não havia descarga. Cauê ficou à distância esperando a moça. Elizabete saiu e pediu para lavar as mãos e avisou que usou a água do balde no vaso. O jovem pescador ficou surpreso e mostrou a calha onde corria um filete de água e caía num barril.

- Pode lavar as mãos ali. Isso é água da nascente, é limpinha.
A bióloga lavou as mãos e secou nas pernas da calça comprida. Agradeceu e foram para a praia. O bote que a levaria à lancha já estava na praia. Pela primeira vez Cauê sentiu um desconforto, uma ponta de vergonha com aquilo tudo. Voltou a costurar sua rede, mas uma ideia lhe veio à cabeça:

- Donato, vamos lá ao continente?
- Agora? Fazer o que?
- Ó homem! Deixa de pergunta. Vamos lá comigo?
- Vou. Mas tem que avisar o pai.
Os dois chegaram à cidade e foram comprar uma tábua para vaso sanitário, papel higiênico, um espelho e um trinco para porta. Donato olhou tudo aquilo e perguntou:
- Mas pra que tudo isso?
- Donato, aquele banheiro lá da professora tá muito desarranjado. Tá sem nada, não tem nem trinco na porta. Fica ruim. Hoje, a doutora pediu pra ir lá, e  vi que ela ficou sem jeito.  Não custa nada a gente melhorar aquilo, senão dá a impressão que a gente vive que nem bicho.

- Mas esse papel é mais caro do que aquele que usamos.
- Vamos botar um papel melhorzinho, né?

Donato concordou com o amigo. Mas a verdade é que com a chegada daquele pessoal de fora, algumas mudanças já se faziam presentes no íntimo dos moradores da ilha. As moças queriam se arrumar, ficarem mais bonitas. Cauê queria melhorar a aparência do banheiro. Sem sentir eles estavam se modificando. E isso era só o começo. Sempre que uma cultura mais avançada chega a um lugar simples, as influências entram em ação.

Chegaram de volta à ilha e chamaram Cristóvão para ajudar a instalar tudo aquilo. Foi ele quem instalou a tábua do vaso,  o trinco da porta e pendurou o espelho na porta pelo lado de fora, por causa da claridade do dia, já que não tinham luz. Nas suas andanças pelo mundo, Cristóvão aprendeu a fazer de tudo um pouco.  Sebastião fez um suporte de madeira para pendurar o papel higiênico.  Cauê olhou e gostou do que foi feito. O rapaz foi em casa e pediu à mãe um pano limpo, que fosse branco, para pendurar perto da calha de água da nascente. A mãe quis saber para que, e ele respondeu que era para secar as mãos.

- Secar as mãos de que? Perguntou a mãe.
- Para as moças enxugarem as mãos.
- Que moças, Cauê? Só tem essa Elizabete! Disse Jani, que secava os cabelos lavados.
- Agora, só tem ela e a professora, mas depois virão outras da TV. Jani, não se mete.
- É, tô gostando de ver, seu Cauê! Com elas você tá todo se derretendo, agora, comigo é só passa-fora.
- Êta! Vocês não vão brigar por causa de um pano de secar mão!  Ralhou dona Luzia, a mãe.
                                                          
                                                      continua...

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google


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