ARTE DAS LETRAS

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 13o.Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -  Romance

                                                 13o. Capítulo

                                                ... continuação

A gente vê pouco isso aí.
- Ah! Então vamos esperar mais um pouco. Até o final deste  mês começamos nosso trabalho. Celso, vamos embora? Vó Miranda, seu Getúlio, mais uma vez sou grato pela colaboração. Vocês não vão se arrepender. Onde chega a TV, chegam melhorias com ela.
Dito isso, eles foram caminhando para a praia e foram embora. Vó Miranda olhou para Getúlio, Zé e Cauê dizendo:
- Este preço que você deu não vale. Melhor ir conversar com o Padre Paulino. Ele é mais entendido e pode ajudar a chegar ao preço justo.
Todos concordaram com vó. Iam falar com o padre.

Na cidade, Ricardo estava contente com os acertos com os ilhéus.  Disse a Caetano que ia para o Rio  preparar tudo para voltarem e começar os trabalhos de gravação, depois que a luz estivesse instalada.
- Caetano, a luz chega semana que vem. O pessoal da companhia de eletricidade vai ligar para você. Vão acertar os detalhes e marcar o dia em que virão começar a instalação. Qualquer coisa me telefone. Quero estar aqui no dia em que a primeira lâmpada for acesa na ilha. Quero fazer uma surpresa, vou trazer uma TV nova, a cores, para eles. Aquela TV que eles têm lá é velha, é do tempo que se amarrava cachorro com linguiça.
Dito isto, todos caíram na gargalhada.
- É, Ricardo, você gostou dos caiçaras!
- Caetano, Caetano, não esqueça: é dando que se recebe...

Na ilha, Elizabete estava sentada num tronco de árvore e lanchava pão com alguma coisa dentro e bebia cerveja de lata, enquanto comia fazia anotações.
- A doutora não quer sentar lá na mesa do galpão pra comer sua merenda?
Perguntou Januário que chegou na surdina. Elizabete se assustou, mas logo se recompôs.
- Não. Obrigada. Estou bem aqui. Quem é você?
- Meu nome é Januário. Sou sobrinho de Zé da Conceição, aquele alto e magro.
- Ah! Sei quem é.
- Januário, não tem o que fazer? Já arrumou sua rede? Vamos embora lavar as caixas dos pescados. Deixa a doutora em paz aqui trabalhando. Disse Cauê que seguiu o rapaz até ali. Januário cumprimentou Elizabete e saiu seguido de Cauê. A moça olhou aquilo e achou interessante a ascendência de Cauê sobre aquele rapaz.
Agora, as moças estavam ao sol com os cabelos encharcados de babosa. Donato passou, olhou aquilo e riu delas.
- Que isso? É promessa, é? Todo mundo com os cabelos lambidos pela babosa. Êta coisa nojenta, isso! Parece gosma.
Ariel e Jani olharam para o rapaz  já com resposta na ponta da língua. Ariel disse:
- Donato, o que é que você tá achando de engraçado? A gente sempre botou a babosa no cabelo. Isso tem graça? 
- Tamos cuidando do nosso cabelo. Falou Jani.
- O engraçado é que vocês todas fizeram isso ao mesmo tempo. E tão aí no sol como roupa no varal secando.
- Mas olha o que é vida pequena, você tá tomando conta da gente e do que tamos fazendo. Não tem o que fazer não?  Disse Margarida.         
- Donato, isso é coisa de mulher. Mulher cuida do cabelo, não sabe? Falou
Araí, a mais tímida do grupo.
- Tá certo. Mas que tá gaiato, tá.  Neste momento passou Cauê, que olhou as moças e continuou seu caminho rindo. Jani ficou com raiva do irmão e gritou para ele:
- Você com esse cabelo grande, também devia ta  aqui  de molho na babosa, seu cabelo ia ficar bem mais bonito.  Donato foi indo embora e rindo delas. Margarida disse que deixassem que eles rissem, elas tinham que ficar com os cabelos bonitos iguais aos cabelos das moças da TV.

Elizabete já havia acabado o trabalho daquele dia e voltava para a praia. Viu Cauê e Donato costurando redes. A moça chegou perto de Cauê e falou meio aflita:
- Cauê, estou com um problema.
- O que é? Alguém incomodou você?
- Não. É que estou apertada para ir ao banheiro. Preciso fazer xixi.
O rapaz ficou sem graça e paralisado.
- Onde posso usar um banheiro?

by Didi Leite


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