ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 3 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 12o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA  -  Romance - 

                                               12o. Capítulo


                                           ... continuação


O dia amanheceu claro e o sol já estava quente de manhãzinha. Os pescadores foram ao continente levar os pescados. Jani, Margarida e Ariel foram juntas. Queriam fazer compras na cidade. Cada uma levava uma pequena quantia para essas comprinhas, como elas diziam.
E o que queriam as moças? Queriam sabonetes, cortes de fazenda e um batom. Esse batom ia dar panos para as mangas. Mas todas queriam pintar a boca, igual a doutora bióloga. Chegaram à cidade e enquanto eles arrumavam os pescados, elas saíram alegres à compras. Entraram na loja de fazendas e escolheram um pano de algodão estampadinho, fundo de cores diferentes. Compraram um corte para vestido, cada qual de uma cor de estampado. Depois, foram para a farmácia comprar sabonetes e o tal batom. A vendedora perguntou se elas não iam levar xampu para os cabelos. Elas ficaram em dúvida. Mas também viram que o dinheiro não dava para tudo. Jani disse que ia pedir mais dinheiro a Cauê, e voltava logo.

A mocinha saiu em desabalada carreira, chegou perto do irmão e pediu  dinheiro.
- Jani, pra que você quer mais dinheiro? A mãe já não  deu o bastante?
- Não, Cauê! Tá faltando pra comprar os sabonetes.
- Quanto você precisa? Perguntou o irmão.
- Ah, me dá mais dez reais.
- Tudo isso?  Toma, leva os dez. Mas se tiver troco quero ver isso de volta.

Jani voltou correndo e as moças compraram o xampu, os sabonetes e o batom. Era um batom apenas. O mesmo batom vermelho para todas. Elas voltaram para a pracinha, viram o carro da TV na prefeitura e foram sentar esperando os pescadores acabarem as vendas. Falavam, tagarelavam e faziam planos para a chegada da TV na ilha. Finalmente eles acabaram e começaram a voltar para os barcos. Jani, sempre espevitada, falou:
- Poxa! Pensei que essa venda não acabava mais hoje. Tamos um tempão esperando vocês.
- Entrem nos barcos e não arenga, Jani. Disse Getúlio.
Elas entraram no barco abraçadas com as comprinhas... Estavam agitadíssimas. Jani e Ariel foram no barco de Getúlio. Margarida no barco do Zé da Conceição.

Quando os pescadores chegaram à ilha, lá já estavam Ricardo e Celso esperando por eles. Cauê não gostou do que viu. Elizabete havia chegado mais cedo e fora para a mata. Getúlio mandou que eles esperassem no galpão, ia em casa e logo voltava. Os demais pescadores se dispersaram. Os dois homens da TV caminharam para o galpão e lá ficaram falando baixo entre eles. Ricardo disse a Celso:
- Viu que caiçaras bonitas?
- É!  Três belezinhas. Xucras, mas bonitas. Retrucou Celso
- Podemos botar elas na novela como  figurantes. Ponderou Ricardo
- Talvez, até dar uma ¨fala¨ se alguma tiver jeito para a coisa. Falou Celso
- Fale baixo, se eles escutam isso cortam a nossa na hora. Disse rindo Ricardo.

Enfim, chegaram Getúlio, Zé da Conceição, Cauê e vó Miranda. Todos se sentaram e Ricardo dirigiu-se a Getúlio:
- Então, seu Getúlio, como ficamos?
- Bem, seu Ricardo, chegamos a conclusão que os senhores podem vir filmar aqui na ilha.
- Poxa! Muito obrigado seu Getúlio e a todos os senhores. Prometo que não vamos aborrecer ninguém.

- Mas têm umas coisas que devemos acertar desde  já. Disse vó Miranda.
Os senhores podem vir, mas nada de dormir na ilha, não queremos que nossos meninos e meninas sejam bulidos. A comida os senhores tratem de trazer. Também não queremos ninguém nas casas, nas proximidades das moradias. Água damos à vontade. Também não queremos seus artistas sem roupas filmando aqui. Tem que ser coisa séria.
- Como é o nome da senhora? Perguntou Ricardo.
- Ela é vó Miranda, nossa mestra cirandeira e conselheira de todos nós. Disse Getúlio.
- Pois bem, vó Miranda, nada será feito sem o consentimento dos senhores. Não há nenhuma cena imoral na novela. A história é séria e bonita, Pode ficar sossegada.
- E quanto vocês vão pagar pra fazer isso aqui? Perguntou séria e direta vó.
- Os senhores podem dar o preço, digam o quanto querem receber por isso.
- Quanto vocês costumam pagar nos outros lugares?
- Isso varia, varia muito de acordo com o lugar e o tempo em que ficamos, Cauê.

- Vamos cobrar uma semana de pescado vendido lá no continente. Disse Getúlio, sem fazer a menor ideia do quanto cobrar.
- Façam as contas de quanto dá isso e pagamos.
- Tá certo. Vou somar tudo e depois lhe digo.
- Bem, então, quando podemos começar?
- Quando quiserem. Disse vó.

Ricardo aproveitou e falou a eles:
- Aqui tem esta televisão, vocês têm luz?
- Não! Esta televisão foi doada pelo prefeito anterior. É bem antiga. Ligamos  numa bateria. Quando a bateria acaba, a gente fica sem ver nada. A gente vê pouco isso aí. 

                                                         continua...

by Didi Leite

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