ARTE DAS LETRAS

domingo, 29 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 37o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -  Romance

                                           37o. Capítulo

                                      ...   continuação

Vocês são os culpados!
- Minha filha ficou presa lá naquele fogo. Disse Justo chorando.

Os repórteres ouviam  e anotavam tudo, o nome de Jonas Ferroso entrou em destaque. Eles quiseram saber como foi que tudo começou e onde o empresário e o prefeito entravam na história. A notícia se espalhou pelos jornais, pelos noticiários do rádio e as imagens da ilha, ainda com fogo sendo apagado pelos  bombeiros, apareceram na televisão.  Jani e Januário ficaram sabendo do incêndio. A moça quis voltar à ilha, precisava ver o irmão e a mãe.

Foi aberto processo de responsabilidade do incêndio. O empreendimento de Jonas foi embargado. Elizabete lutou como leoa para saber que fim levou seu relatório sobre a ilha. Seu relatório havia sumido. Mas a bióloga não se intimidou pois tinha tudo registrado em seu computador.  Um repórter localizou os registros da ilha, um político de ocasião entrou com um projeto para que fosse dado o título de posse das terras da ilha aos pescadores. A história da formação da população da ilha foi contada e recontada em todos os noticiários. Era unanimidade entre todos que a ilha pertencia àquela gente. Jonas Ferroso sumiu e não atendia nenhum jornal. A desculpa era que tinha viajado. Mas  não ia escapar do processo que foi aberto contra ele.

Como num canto bíblico trombetas ecoaram no ar! Dos quatro cantos do mundo, como se  a mãe natureza tocasse um shofar clamando a todos que viessem cuidar, tratar das feridas de sua filha: a ilha da Pedra Branca!

Quando Cauê voltou à sua ilha, Pedra Branca, chorou convulsivamente olhando os destroços daquilo que um dia foi seu mundo.
A ilha parecia um cadáver ressequido, uma árvore desgalhada, um lugar inabitável.  A ilha deserta, só parte da mata estava de pé. O galpão se salvara pela providência divina. Mas as casas, estas eram só ruínas. Elizabete, Zé e Justo olhavam tudo e não sabiam o que dizer, nada havia a dizer para consolar Cauê. Aí, Elizabete lembrou de vó Miranda quando lhe disse: ¨sua gratidão quero de outra maneira, um dia você vai saber¨.

- Recomeçar!   Vamos arregaçar as mangas e por as mãos no trabalho. Vamos reconstruir tudo! Foi o que Elizabete disse a Cauê com força e vigor.
Zé da Conceição lembrou a Cauê o dinheiro que haviam ganho da TV Norte Sul, ele daria para reconstruir as casas. A bióloga se comprometeu a reflorestar a mata queimada.  Justo deu graças a Deus que os barcos estavam salvos, pelo menos podiam pescar, era só comprar as redes e motores. Cauê ouvia a todos apático.
- E minha Açucena? Como a trago de volta? E Donato ?  Mais que um amigo, um irmão? Até meu pobre Fininho, tão fiel, tão amigo?
Justo se abraçou ao rapaz e chorando disse que agora sua filha, Açucena, estava com vó Miranda e os anjos no céu pertinho de Deus. Ela olharia por eles.

No dia seguinte, Elizabete já estava requisitando em seu trabalho, no ministério,  funcionários para limpar a mata e começar a preparar o solo para o replantio.  O prefeito colocou funcionários para ajudar na limpeza dos escombros. Justo e Zé e voluntários das outras ilhas vizinhas começaram a retirar os entulhos dos escombros. Era um trabalho braçal limpar toda a área do local das casas para começar a reconstrução das casas.

  Cauê encontrou sob os destroços das paredes da sua casa a escultura de Açucena feita por Sebastião. Ele não sabia e jamais saberia que sua Açucena morreu por causa daquele presente. Aí o rapaz desanimou, abatido foi sentar nas pedras, lugar do seu retiro. A escultura estava intacta. Cauê olhava e as lágrimas corriam dos seus olhos. Ficou olhando o mar e as lágrimas corriam pelo seu rosto. Chorava por sua mulher, pelo seu amigo e irmão Donato e por sua querida ilha. Sua ilha, seu ninho, como chegou a esse ponto! – Destruída –
Alguém chegou suavemente e disse para ele:

- Cauê! Cauê! Eu vim, eu voltei por você! 

                                                             continua...

by Didi Leite

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