ARTE DAS LETRAS

sábado, 28 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 36o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA

                                                36o. Capítulo

                                               ... continuação

Açucena já estava dentro do barco e chorava, foi  aí que ela lembrou da escultura que Sebastião fizera e Cauê lhe dera de presente. A moça teve a trágica ideia de correr até em casa para buscar sua escultura. Dona Carmem estava de olhos fixos nas chamas que lambiam as árvores e não se deu conta da saída da moça do barco. Só Fininho pulou e latindo foi correndo atrás da moça. Alguns barcos já estavam entrando no mar. Mais árvores caíram sobre as casas, agora o fogo era uma barreira intransponível. Cauê gritou se todas as crianças já estavam embarcadas, mandou tocar para frente e remarem mar adentro. Os barcos estavam sem motor, à noite eles tiravam os motores dos barcos e guardavam em casa. Ele pulou para o barco e quando já ia sair, ouviu os gritos de sua mãe:
- Meu Deus!  Açucena! Açucena não tá mais aqui. Cauê!

- Onde foi Açucena? Ela tava aqui dentro eu vi! Gritava Cauê.
- Vi Açucena com Fininho correndo na direção de casa. Disse uma criança.
- Vou lá, vou lá... Disse Cauê desesperado.

Mas Zé segurou seu braço e disse que se ele entrasse naquele caldeirão de fogo ele morreria. O fogo soprado pelo vento ia em direção das casas. Donato segurou Cauê e mostrou a ele que as casas estavam como uma fogueira só. Era melhor ele comandar o pessoal no mar, por entre aquelas pedras naquela escuridão, que ele mesmo iria procurar Açucena. Dizendo isso Donato saltou na areia e saiu em direção da casa de Cauê. Os barcos restantes entraram com rapidez nas águas escuras se afastando de Pedra Branca.

De longe Pedra Branca parecia uma grande fogueira. Das outras ilhas ao redor se via o incêndio. Cauê achou melhor todos se dirigirem para Caramujos, que era uma ilha mais afastada e segura. Os barcos foram chegando na areia e todos ficaram juntos, ali, olhando com horror para o fogaréu ao longe. Ouviu-se as buzinas da Guarda Costeira dando o alarme do incêndio. Cauê ficou esperando ver o barco de Donato apontar no mar, ao mesmo tempo em que pensava que o amigo podia ter seguido para a cidade no continente. 

Providencialmente uma chuva  começou na madrugada. O mar estava cheio de barcos vindos de outras ilhas, a capitania dos portos acionou os bombeiros, mas o fogo  havia tomado as casas, as ultimas casas haviam desabado, justo a casa de Cauê, onde Açucena entrara e Donato também chamando por ela. A fumaça não deixava se ver nada. As paredes ruíram sobre eles. Os dois morreram vítimas do desabamento e da intoxicação pela fumaça. O desgraça era completa, o estrago já estava  feito. O galpão não tinha sido atingido graças ao vento, que afastava o fogo para o sul da ilha.

 Quando chegaram em Caramujos dona Ceição e Justo queriam saber de Açucena. Onde estava a filha? Por que ela não estava entre eles?  Ceição começou a chorar. Zé explicou o acontecido com a moça e Donato. Mas que tivessem calma, eles deviam ter pego o barco e ido para o continente. Justo queria ir lá, mas não adiantava.  

Nos dias que seguiram muita gente circulando pela cidade, helicópteros cruzavam o céu. Os bombeiros iniciaram os trabalhos de rescaldo. Cauê e Zé da Conceição deixaram os moradores em Caramujos, e seguidos por Justo  foram para a cidade. Os três pescadores entraram na prefeitura querendo falar com Caetano. Lá haviam vários repórteres e Elizabete que estava aflita para saber dos ilhéus de Pedra Branca. Cauê aos gritos dizia:

- Prefeito, Prefeito! Onde está o Prefeito Caetano?!
- Cauê! Que desgraça foi essa?  Indagou Elizabete, que já chegara à cidade.
Foi Zé que respondeu à moça.
- Uma desgraceira, um incêndio enquanto a gente dormia.

Caetano tentou acalmar Cauê, mas este aos brados disse ao prefeito:

- Foi o senhor e aquele Jonas Ferroso que causaram tudo isso. Botou aquela dinamite na ilha e aquele bêbado para tomar conta de tudo. O fogo começou enquanto todo mundo dormia. Agora nossa ilha, nossa casas queimaram todas. Minha mulher, meu amigo e meu cão e aquele pobre diabo do Jamelão morreram! Vocês são os culpados!

                                                     continua...

by Didi Leite

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