ARTE DAS LETRAS

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 35o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA  - Romance

                                             35o. Capítulo

                                             ... continuação

Numa noite daquela semana, Jamelão chegou à ilha. Vinha com uma sacola. Sentou-se no galpão no seu trabalho de vigia. O homem dormia mais que vigiava. Vez por outra bebia alguma coisa de uma garrafa escura.  Pensava ele:
 - Quando o doutor vai explodir logo essas pedras, pra eu dormir em sossego numa cama de verdade? Nessa ilha venta de madrugada. Tá calor aqui. Lugar chato de ficar... Vou lá fora fumar um cigarro, isso aqui tá muito silêncio...
Jamelão bebeu mais uma vez de sua garrafa, saiu andando para a praia, acendendo um cigarro. O homem fumava direto a noite toda.

Elizabete havia chegado de mais uma viagem de trabalho. Estava cansada, mas satisfeita, pois entrara em férias e ficaria um mês na sua casa.  A moça, após um bom banho, colocou umas latas de cerveja para gelar, pediu uma pizza por telefone. Enquanto esperava, ligou a televisão e ficou admiradíssima de ver que na novela que estava no ar,  Jani fazia uma pequena ponta numa cena. Ficou se perguntando como a irmã de Cauê fora parar ali na televisão. Lembrou do pessoal da ilha, Cauê com seu jeito tão sério e ao mesmo tempo tão doce. Sentiu saudades dele. Pensou que aquela hora já devia estar casado com Açucena. Lembrou de Ricardo e sua equipe. Como estariam os moradores da ilha?  O interefone tocou avisando que seu pedido à pizzaria chegara. A moça enquanto lanchava, sentiu vontade de ir até Pedra Branca. Mas lembrou que estava de férias e havia jurado que iria descansar aquele período. Continuou seu lanche, não estava prestando atenção na história da novela, olhava por olhar. Mas no intervalo do capítulo uma propaganda foi passando, Elizabete só se ligou quando viu uma cena da enseada da ilha e  ouviu : "um paraíso ao seu alcance , vendas na planta. Reserve já um pedacinho desse paraíso na ilha de Pedra Banca. Empreendimentos..."  Elizabete saltou da poltrona e quis confirmar o que vira e ouvira. Paraíso na ilha da Pedra Branca? Vendas na planta? Ela olhou a hora e já não dava para falar com ninguém no Mistério. Queria saber sobre o que fizeram com seu relatório sobre a preservação da ilha.
Mas no dia seguinte ia saber disso direitinho. Lá se iam suas férias embora, pois iria querer saber como foi dada autorização para empreendimentos imobiliários na ilha.

Em Pedra Branca todos dormiam em suas casas. A noite estava abafada, o calor estava intenso. Jamelão já havia bebido muito do conteúdo da garrafa que carregava nas mãos. Fumava e bebia tomando conta de nada. Já estava completamente  bêbado, agora o sono e o álcool já faziam seus efeitos. O homem resolveu sentar perto da mata, lá era mais fresco, ninguém ia mexer naquele galpão. Meio trôpego caminhou até a   mata, sentou e recostou-se a uma árvore. E assim bebia e fumava. Cochilou, a garrafa caiu de suas mãos e entornou, espalhando  a bebida, que era cachaça de pior qualidade, álcool puro, o cigarro acesso caiu dos seus dedos sobre o líquido no chão. A mata estava seca, já fazia tempo que não chovia, estavam no verão. Começou uma chama, pequena, que foi crescendo e se espalhando, espalhando e Jamelão de tão bêbado não acordou e não viu o fogo se alastrando. Em pouco tempo, um pedaço da  mata estava em chamas. O incêndio crescia. O fogo ardia, o vento soprava as chamas em direção às casas.

Já há mais de uma hora o fogo entrava pela mata adentro, se o vento mudasse de direção o galpão com a dinamite iria pelos ares. Foi Fininho que deu o alarme. O cão começou a latir insistentemente. Dona Carmem ouviu o cão e sentia um ar quente na casa. Por sua vez Donato, também ouviu os latidos de Fininho, levantou para ver o que havia com o cão, viu um clarão vermelho de fogo pela janela.  Apavorado chegou do lado de fora da casa e viu que a mata estava em chamas. Gritou por Zé, foi correndo chamar Cauê. Num instante todos os ilhéus estavam fora de suas casa.

- Zé temos que sair daqui. Olha, o fogo já chegou nas casas que foram de vó Miranda, Ariel e Justo, logo vai lamber nossas casas. Disse Cauê.

- Donato, nossos barcos, nossos barcos estão perto do galpão. Disse Zé.

- Gente, barcos ao mar. Vamos sair daqui já. Vamos entrar nos barcos e sair daqui agora.

Cauê desesperado gritava pelos irmãos para trazerem dona Carmem, sua mãe, enquanto ele e Zé corriam para desamarrar os barcos.
As mulheres estavam apavoradas. Açucena queria pegar algumas coisas em casa, mas Cauê disse que não dava tempo. O fogo se alastrava muito rápido. Zé da Conceição mandou que todos fossem correndo para os barcos. Ele já tinha soltado os barcos. Que deixassem tudo para trás. Açucena pegou Fininho nos braços, o cão latia apavorado ante as chamas.

Dona Carmem levou as crianças para a praia. Cauê olhava desesperado que o fogo ainda não tinha chegado nos fundos do galpão. Uma árvore em chamas caiu sobre as casas. Uma era a  casa de Vó . Fininho pulou do colo de Açucena  latindo e correndo desnorteado. Donato pegou o cão para botar dentro de um dos barcos. Cauê mandava todos correrem, pois tinham que vencer a barra do mar e se afastarem o máximo da ilha. Açucena já estava dentro do barco e chorava, foi  aí que ela lembrou da escultura que Sebastião fizera e Cauê lhe dera de presente. 

                                                            continua...

by Didi Leite

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