ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 24 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 32o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA - Romance

                                         32o. Capítulo

                                         ... continuação

- Mas a gente tem o direito pelo tempo que tamos lá. São anos e anos. Nossos avós nasceram lá, nossos pais, a gente tudo nasceu e viveu lá. Respondeu Cauê.

Bem, senhores, vamos começar nossas obras e espero que não nos criem problemas. Já disse que ajudarei a construir as novas casas. E vai ser bom para vocês. A pesca de vocês, parte terá comprador certo. Poderão vender seus artesanatos aos turistas. Há uma série de vantagens. Agora, vocês estão assustados, mas depois verão que vai ser bom para todos. Pensem nisso.

E Jonas Ferroso virando-se para o prefeito disse que tinha que ir embora, pois tinha reunião marcada na capital. Despediu-se de todos e marcou de voltar até o fim da semana. Cauê e Zé estavam zonzos não sabiam o que dizer e fazer. Lembraram de Getúlio e Donato. Resolveram voltar à ilha.

Donato ainda não havia voltado. A mulher de Getúlio estava aflita na beira da praia esperando notícias. Cauê e Zé não tinham coragem de contar sobre o assunto da reunião. As pretensões daqueles homens sobre a ilha eram assustadoras. Os dois ficaram olhando as poucas casas que faziam o pequeno mundo deles. Não, não podia ser tão simples assim, chegarem, se apossarem, mudarem suas casas de lugar, tinha que haver um modo de resolver isso.

- Que sujeito besta, aquele tal de Jonas! Disse Zé.
- Ele pensa que é o dono do mundo, pensa que a gente é criancinha ignorante. Zé, vamos contar tudo isso pra padre Paulino, ele deve saber como impedir essas obras. Amanhã, vamos lá na igreja.

Donato voltou sem notícia alguma do pai. Ele e os homens da lancha procuraram em todos os arredores, foram à ilha dos Caramujos, á ilha das Flores, até a ilha Pequena, mas nada. Não encontraram ou souberam de nenhuma notícia de Getúlio. ´Cauê achou melhor não contar a Donato sobre a reunião, isso o deixaria mais abalado ainda.
No dia seguinte, os pescadores contaram tudo ao padre, que ficou indignado, dizendo que não era assim, não. Ele ia falar com Caetano. Que ia ver as leis sobre o assunto. Tinha amigos que eram advogados. Os dois pescadores podiam voltar para casa, nos próximos dias ele mesmo iria a ilha dar as notícias sobre o caso.

Padre Paulino enfrentou o prefeito dizendo tudo o que pensava sobre o assunto:
- Caetano, isso é uma covardia. Esses homens são uns canalhas, querendo se apossar da ilha. Não sei como você tem coragem de aceitar uma coisa dessas.
- Padre, eu sou só uma pedrinha nesse tabuleiro. Eu não mando nada. Eles decidem as coisas lá junto ao governo e aí não adianta dizer não. É aquela máxima,manda quem pode, obedece quem tem cabeça.

- Ou obedece quem quer se reeleger, não é? Pois fique você sabendo que na próxima semana vou à capital ver isso com advogados, amigos meus. Vou vasculhar os arquivos e cartórios na cidade de Boqueirão das Ilhas e vou ver o que há sobre a ilha das Pedras. Pode estar certo que vou botar a boca no mundo. Vou defender essa gente!

Dizendo isso, saiu muito raivoso da prefeitura. Caetano pegou o telefone, ligou para Jonas Ferroso e relatou toda a conversa com o padre.

- Calma! Calma, Caetano. Vou resolver isso agora. Esse padre vai ficar caladinho já, já. Deixe isso comigo. Só quero que você me avise que dia ele vai viajar.
- Ele disse que vai na próxima semana.
- Pois me informe o dia exato em que ele vai sair daí.

Cauê estava agoniado e preocupado com os últimos acontecimentos. Foi caminhando para o seu retiro nas pedras. Precisava pensar, precisava rezar, precisava ficar sozinho. Sentou numa pedra e fechou os olhos, de repente, quando olhou em volta viu pedaços de madeira  jogados nas pedras. Justo num pedaço estava escrito Lindaflô.

Os destroços do barco de Getúlio tiravam toda a esperança de encontrar o velho pescador com vida naquele mar. Donato ficou abalado e sua mãe em tristeza profunda. Seu bom marido tinha ido embora da vida, tinha ido embora da ilha para sempre.

Padre Paulino disse a Cristóvão que precisava fazer uma viagem rápida à capital, não ia se demorar. O padre arrumou seu carrinho, pegou a estrada e foi embora. 

                                 continua....


by Didi Leite

Ilustração Imagem Google


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