ARTE DAS LETRAS

sábado, 21 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 30o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA    -   Romance

                                          30o. Capítulo

                                        ... continuação

Daí para o namoro foi rápido. Pedrinho era rapaz sério e queria ter sua própria loja, queria ir para uma cidade maior, Duas cidades antes de Nossa Senhora da Conceição do Sul, a cidade de Boqueirão das Ilhas, era nesta cidade que Pedrinho queria abrir sua loja e construir sua família. O pai aprovava e ajudaria o filho a iniciar seu comércio. O rapaz pediu a moça em casamento, ela aceitou e as famílias aprovaram. Marcaram a data do casamento.   Apenas uma dúvida. Onde seria o casamento? Na ilha ou na igreja no continente?  A moça escolheu a ilha. E assim seria celebrado por padre Paulino na ilha. O ancoradouro já estava pronto. Agora, era mais fácil chegar à ilha. Margarida falou para Açucena que ela podia marcar uma noite de ciranda para despedida.

- Despedida de quê?  Perguntou Açucena.
- A minha , com o casamento vou morar em outro lugar. Marca  a ciranda, Açucena!
- Não sei, Margarida, tem tão pouco tempo que vó morreu!
- Mas foi ela mesma que mandou você puxar a ciranda! E depois, todos tão precisando cantar, tudo aqui ficou muito triste. Um monte de gente que foi embora, época do defeso, os pescadores quase não pescam, Getúlio com os miolos moles vagando por aí...
- Tá bem, Margarida. Vou falar com Cauê.

A princípio, Cauê se mostrou em dúvida com uma noite de cantoria e dança, mas depois concordou com Açucena. A ciranda seria no fim daquela semana. A moça disse que seria uma noite bem alegre, como aquelas que vó  puxava a ciranda. Aí, o jovem pescador mostrou toda a dor e a saudade que sentia pela irmã, Jani.

- Igual aquelas noites de antigamente nunca vai ser. Naquelas noites a gente tinha felicidade e alegria no coração e nem sabia que era feliz. Hoje, a gente tem um buraco na alma onde dentro tá muita tristeza. A alma fica fechada e dentro dói, dói muito.
- Você fala por Jani, não é?
- Falo de tudo, de Jani, Elizabete, Sebastião, Ariel, Cristóvão, Januário, vó Miranda e até de Getúlio, que tá por aí, mas não tá mais aqui. Qualquer dia, será Margarida que irá embora. É, Açucena, todos tão se indo, de uma forma ou de outra, tão deixando a ilha!

- Cauê, não fique assim, abatido. As pessoas vêm, as pessoas vão. A gente não pode ficar colado no chão. Cada um tem um destino pra viver.
Os dois estavam nesta conversa quando avistaram a lancha da prefeitura que se aproximava do píer.  Era o secretário do prefeito que vinha convocar Getúlio, Cauê e Zé da Conceição para uma reunião na prefeitura. Ele não sabia dizer qual era o assunto. Mas que fossem no dia seguinte  sem falta.

À tarde, daquele dia, as crianças e alguns ilhéus assistiam  televisão no galpão, quando falaram com admiração:
- Olha lá a Jani!  Ela tá na novela que filmaram aqui. Gente olha a Jani!
- Será que é ela? Tô achando que não é ela, não!
Donato chamou Cauê para ver Jani na televisão. Cauê chegou e viu a irmã.
- É Jani! Disse o irmão
- Ela tá mais bonita, toda arrumada. Falou uma criança.
- Jani vai aparecer na novela! Virou artista!  Disse Donato.
A moça estava num programa de entrevista e falava com a apresentadora. Agora, Jani estava mais comportada, vestida de forma mais moderna e falava pouco. Seus cabelos tinham outra cor, um castanho cor de mel com algumas luzes claras.  Cauê não quis assistir aquilo. Saiu sem ouvir o que Jani dizia.

O jovem pescador foi para seu retiro nas pedras. Estava angustiado, triste com a visão da irmã. Também estava preocupado com essa reunião com o prefeito, agora sem Getúlio para acompanhá-lo. Açucena veio se chegando e sentou-se perto do marido.
- Cauê, você  tá sempre triste! A gente nem parece que casou há tão pouco tempo!  Sabe, eu não canso de olhar a escultura que você me deu de presente. Ela é tão linda!
- Sebastião fez aquilo pensando em nós dois, no nosso amor e no nosso futuro juntos.
O rapaz abraçou sua Açucena e beijou-lhe o rosto e os lábios.
- Eu sempre amei você, desde que éramos crianças e corríamos brincando por essa ilha. Meu coração é todo seu, Açucena. Quero fazer você a mulher  mais feliz do mundo. Nossos filhos serão frutos do nosso amor.
A moça aninhou-se nos braços do rapaz e o beijou muitas vezes. Cauê acariciou o corpo de Açucena e ela sentiu uma sensação de felicidade. Ficaram abraçados olhando o mar pensando como seria o amanhã deles. Prazer, alegria, dúvidas e um certo temor tomava conta deles. De repente, uma lufada de vento despertou o casal, era um vento forte, o sudoeste. Cauê achou melhor ir ver as amarras dos barcos. Zé da Conceição já estava reforçando as cordas e Cauê chegou para ajudar.

- Hoje, não vamos botar barco no mar. Esse vento tá muito forte e é perigoso entrar assim. Disse Zé.
- Isso é vento que vai trazer tempestade. Não dá para pescar hoje. Temos que amarrar bem os barcos e puxar mais pra cima.
O jovem mandou um menino que estava por ali, chamar Donato para ajudar. A noite prometia ser escura e de perigo. Ninguém se aventurava entrar com o tempo assim.

Getúlio estava inquieto e perguntou a Donato quem era ele e o que fazia na ilha. Donato se espantou com o desconhecimento do pai em relação a ele.

- Pai! Eu sou o Donato, seu filho!
  
                                              continua...

by Didi Leite

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