ARTE DAS LETRAS

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 11o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -  Romance

                                        11o. Capítulo

                                         ... continuação


No caminho, enquanto contornavam as pedras, Cauê perguntou que trabalho era aquele que ela fazia.
- Há plantas, árvores, flores e frutos que são próprias de um lugar. Nasceram ali e têm que ficar no seu lugar. Às vezes, as pessoas desmatam e não plantam, e isso pode acarretar o fim daquela planta naquela área.  Meu trabalho é catalogar, anotar cada espécie que vejo para que, depois,  o governo mande transformar em área de preservação, ou em parque ecológico. Aí, ninguém pode desmatar. Mas se já desmataram, então há um trabalho de replantio. Isso é reflorestar. Vocês tiram o quê dessa mata?

- Muito pouco. Tiramos palmito, a pupunha, folhas pra chás, remédios e derrubamos algumas árvores pra fazer nossas casas. Há bambu, mas isso tem muito lá pros lados da nascente. É impossível viver perto da mata sem arrancar alguma coisa. Têm as frutas,   o cipó, que serve pra  amarrar várias coisas. A gente planta milho, planta mandioca, ervas de tempero, frutas, muita coisa pra cozinha. Mas a gente não fere a mata, pois ela é um meio de vida pra gente, como as águas das nascentes e os peixes do mar. No mar, já sabemos que não podemos pegar camarão na época do defeso. Foi um doutor, também do governo que esteve aqui e explicou isso. Se a gente insistir em pegar camarão, podemos ser multados, os barcos dos fiscais ficam prá lá e prá cá olhando o que pegamos.

- É isso aí, Cauê. A gente tem que preservar nosso planeta, para que possamos ter sempre tudo. A natureza é toda arrumadinha como uma escada, se agente tira um degrau, desarranja os outros. Entendeu?

- Olha, aqui começa uma trilha. A gente chama de trilha do farol, porque fica bem em frente aquele farol lá longe. De noite a luz dele chega a clarear aqui. Pouco, mas clareia.
Elizabete escrevia tudo no seu caderninho. E os dois continuaram a caminhar na franja da mata. Januário deu um jeito de se esgueirar pelos caminhos e seguir de longe os dois.

Elizabete olhou o relógio e viu que já passavam das três horas. Quis voltar para a praia, pois havia marcado que ia embora às quatro horas.
- Cauê, amanhã venho cedo e vou começar meu trabalho pela trilha do farol. Acho que posso chegar e vir direto para cá, ou preciso falar com seu Getúlio?
- Não. Pode deixar que aviso ao Getúlio e as outras pessoas.
- Acho que já sei o caminho para a praia. Posso seguir o caminho de volta, sozinha. Obrigada, Cauê!
- Boa viagem, Elizabete!

A moça saiu andando pela ilha rumo à praia. A lancha esperava por  ela. Elizabete entrou passo a passo na água, mergulhou e saiu nadando em braçadas lentas e se foi. Todos ficaram olhando aquilo, e acharam muito estranho ela não importar de se molhar.

- Cauê, o que ela veio fazer aqui? Perguntou Jani
- Nada demais. Veio aprender o caminho pra a mata e marcar uma trilha pra entrar lá amanhã.
- Sozinha? Perguntou Zé da Conceição.
- Ela disse que tá acostumada com isso.
- Mas Cauê, ela vai se perder lá dentro. Há trechos que a mata são fechados
- Ela é esperta, Zé. Ela sabe onde pisa.
- Você bem que gostou de andar com ela lá pelas matas, hem?  Disse Januário numa insinuação que irritou Cauê.
- Januário, você não me venha com gracinha. Não gosto do seu jeito de falar. E sai da minha frente!

- Januário, vá cuidar do que é seu e não se meta no que não foi chamado. Disse Zé da Conceição.

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

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