ARTE DAS LETRAS

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 27o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -   Romance

                                          27o. Capítulo

                                  ...  continuação
- Qualquer dia, vou embora disso aqui.
- Você vai pra onde, Januário? Perguntou Margarida admirada.
- Pra lugar nenhum. Você ouviu errado.

O caso era que Januário ajudava, às vezes, os técnicos nos serviços de segurar microfone,  cabos e  até  armar os  trilhos  por onde corria   um
¨ câmera man¨  filmando os atores. O rapaz gostava daquilo e era um bom ajudante, visto a habilidade e ligeireza com que fazia tudo que lhe pediam. Davi, certo dia, disse-lhe que ele podia aprender a ser um ¨câmera man¨. Pronto!
Mais uma semente do êxodo da ilha fora lançada. Januário aceitou a sugestão e cada vez mais se dedicava em aprender. Isso ficou em segredo. Coisas do jovem pescador, pois sabia que tinha que enfrentar os pais.

Num fim de semana, surgiram na ilha dois homens acompanhando Vasconcelos. Vestiam-se como turistas. Eles precisavam ver com seus próprios olhos se a ilha da Pedra Branca era toda aquela maravilha que Ricardo falava. Olharam a paisagem, cumprimentaram Zé da Conceição que estava à beira da praia.
- Bom dia! Estamos a passeio.
- Bom dia! Nós não recebemos turistas. Aqui é só moradia dos pescadores e das famílias.
- Não viemos para ficar, estamos visitando todas essas ilhas em volta. Esta é a mais distante. É muito bonita mesmo. Podemos beber uma água de coco?
- Januário! Pega lá uns cocos pros moços aqui.

Os homens tiraram fotos, andaram pela extensão da praia, voltaram e perguntaram quanto devia pelos cocos. Zé respondeu que não precisavam pagar nada. Os homens elogiaram mais uma vez a ilha, agradeceram e foram embora. Mas não rumaram para o continente, eles foram contornar toda a área da ilha.

- Zé, o que eles queriam aqui? Perguntou Januário.
- Não sei. Disseram que só queriam olhar a ilha.

As gravações da novela estavam chegando ao fim. Os técnicos começaram a encaixotar toda a aparelhagem. Apenas uma câmera de mão ficaria ainda para pequenas finalizações de gravação. Januário ajudava em tudo e conversava com Davi, sobre a proposta que este lhe fizera:  ir embora para trabalhar na TV.

Stela insistiu com Jani que ela devia aproveitar e ir embora com eles. Jani estava afogueada, pois não sabia bem o que fazer. Não podia sair à luz do dia. Se pedisse para ir junto com Stela para a capital ninguém iria concordar. Cauê não a deixaria  sair dali. Foi, então, que Celso teve a ideia de levar Jani à noite. Ele viria junto com a Stela buscá-la naquela noite. Jani concordou. Celso recomendou que ela não trouxesse muita bagagem, apenas o necessário, e não se esquecesse dos documentos. Jani só tinha certidão de nascimento. Pois que a levasse, disse Celso. 

Ricardo foi se despedir do ilhéus. Ele entregou um cheque a Getúlio e Cauê  pagando o valor o restante  pelo uso da ilha nas filmagens.  Agradeceu a acolhida, desculpou-se pelos transtornos, desejou boa sorte para todos e prometeu que um dia voltaria à ilha para fazer uma visitinha. Havia certo alivio por parte de Cauê e Getúlio em vê-los partir. De repente, a ilha foi ficando livre. Toda aquela bagagem foi levada em várias viagens.

Naquela noite, vó Miranda marcou ciranda para festejar a liberdade deles. Isso era tudo o que Jani queria, pois com a ciranda ela podia ficar fora de casa, longe do irmão, até tarde da noite. Tudo já estava acertado. Celso viria pegar Jani naquela noite. Eles usariam outro caminho para sair da ilha.  Na lancha vinham  Celso, Stela e Januário, era este que os guiariam pelo caminho para evitar baterem nas pedras. Jani tinha que estar esperando, pois o embarque seria rápido. Tudo combinado, agora era esperar o cair da noite e a ciranda começar no terreiro. Jani escondeu sua bolsa com alguns pertences atrás das pedras. Ela estava nervosa e impaciente. Açucena notou a agitação da amiga.

- Jani, o que você tem? Parece que tá nervosa.
- Nada não. Tô bem. É impressão sua,.
- Você tá de olho esticado pro mar. Tá tudo escuro. Tá esperando ver alguma coisa?
- Tô nada. Já disse que não tenho nada. Vamos tomar um refresco?

As duas foram andando e Jani parou na mesa para pegar refresco. Vó Miranda chamou Jani e disse para ela começar o canto da ciranda. Jani se desvencilhou disso, dizendo que estava com dor de garganta, mas que Açucena podia iniciar o canto. Donato perguntou por Januário, Jani disse que achava que ele tinha ido ajudar a levar as coisas da TV lá ao continente e ainda não tinha voltado. O canto começou, a roda se formou e todos começaram a dançar. A moça fez o caminho como se fosse para casa, mas passou por trás das plantas e foi para as pedras, no lugar marcado. Logo a lancha veio chegando, Jani apanhou sua bolsa e foi entrando na água e ajudada por Januário, entrou na lancha, Eles partiram, primeiramente devagar e depois de vencer as pedras aceleraram, rumo ao continente. Lá chegando, os três embarcaram nos carros que os esperavam e assim partiram rumo à capital.  Jani foi embora da ilha!

                                                            continua....

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google


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