ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 17 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 26o.Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA    - Romance

                                               26o. Capítulo

                                       ... continuação

- Presente pra mim? Mas eu nem faço anos! Presente de que?
- É surpresa. Vamos lá. Você vai gostar.
Os dois foram caminhando e Cauê foi lamentando pelo caminho:
- Tá todo mundo indo embora. A Elizabete também vai embora, tá acabando o trabalho, agora você me dá essa notícia...

Chegaram à casa de Sebastião e Cauê ficou na porta esperando o amigo pegar o presente.  Sebastião voltou com uma  escultura nas mãos enrolada num pano.

- Toma, abre e vê se gosta. É para você dar a quem tá no seu coração.

 O jovem pescador abriu e viu o rosto de Açucena. Era uma escultura perfeita das feições da moça. Um trabalho lindo, que deixou Cauê emocionado.

- Mas, homem, isso é uma beleza! Você tem mãos de artista mesmo. Minha Açucena parece que está me olhando e sorrindo! Parece até que ela vai falar! Como você fez isso que nem vi?
- Fiz escondido, era presente de surpresa pra você. Isso é pra você dar pra Açucena e dizer do seu amor por ela.
- Nem sei o que dizer! Vendo isso tenho que concordar com sua partida. Você tem que ganhar o mundo, pro mundo ganhar sua arte. Deus lhe deu esse dom, pois que Deus o abençoe no caminho novo que você quer seguir.
Os dois amigos se abraçaram e Sebastião ficou emocionado.
- Mas você não vai chorar, hem!  Disse Cauê rindo.
- Dê isso a ela junto com seu amor. Em troca ela vai lhe dar o coração dela, que já é seu, só você não vê.
- Vou fazer isso. Vó já me falou isso também.

Já se iam quatro meses da partida de Sebastião e Ariel da ilha. Os dois casaram e foram morar num pequeno sítio de propriedade de Elizabete, que o oferecera para o casal morar enquanto Sebastião não se firmava em seu trabalho e comprava sua própria casa. Também, Elizabete havia partido. O pessoal da TV, ainda, estava na ilha.  A mãe de Cristóvão, dona Estrela, adoecera e depois de internada no hospital na cidade, falecera. Cristóvão estava muito triste e cada vez mais arredio. Começara dizer que queria ir embora da ilha. Padre Paulino, então,  chamou-o para ajudar nos serviços da igreja, e ele aceitou. Ele ajudava desde  limpar a igreja até nas missas. Morava numa casinha nos fundos da igreja. Podia ir a ilha quando desejasse.  Mas nunca mais foi.

Jani, agora maior de idade, estava menos menina e mais moça feita. Ela fez amizade com uma artista de papel secundário na novela e as duas viviam de conversa. Stela e Jani faziam planos, a artista queria que Jani fosse para a capital tentar ser artista de novela. Celso incentivava Jani a fazer o curso de interpretação. Lugar para morar já havia, ela ficaria na casa de Stela. Mas como sair da ilha? Como passar por Cauê? O irmão era uma muralha que atrapalhava os planos da moça. Jani resolveu que quando as gravações da novela terminassem, ela iria embora na calada, sem  dizer nada a ninguém, principalmente ao irmão. Este estava envolvido no seu namoro com Açucena. Estavam namorando para casar e já tinham data marcada, no aniversário da moça, que seria daí a seis meses.

Tudo parecia calmo, a vida se repetia todos os dias para os ilhéus.  Vó Miranda andava com pressentimentos, dizia que mar muito calmo era sinal de tempestade.  Certa manhã, os pescadores vendiam seus pescados na cidade, quando dois carros luxuosos chegaram à porta da prefeitura. Eram carros de chamar a atenção. Deles desceram quatro homens bem vestidos e logo se via que eram da capital. Foi Donato que viu e falou para seu pessoal:

- Olha aquilo, essa gente não é daqui nem da cidade vizinha. Vem novidade por aí.
- O que será que essa gente vem fazer por aqui? Disse Getúlio.

Na ilha as filmagens estavam aceleradas, Ricardo já estava querendo acabar com as gravações externas, para finalizar a novela em estúdio.  Quando seu telefone toca e ele atende:
- Alô!
- Ricardo? Meu amigo, adivinha onde estamos! Estamos pertinho de você. Viemos aqui nesta cidadezinha falar com o prefeito sobre aquele negócio que conversamos.
- Não! Calma aí Vasconcelos,  não é para tratar disso agora. Eu estou acabando de fazer as gravações aqui na ilha, e daqui a um mês estamos indo embora. Aí, sim, podemos entrar com o assunto do hotel. Se você mexer com isso, agora, vai atrapalhar todo o meu trabalho. Você não imagina o trabalhão que tivemos para domar esse pessoal aqui. Não! Nada de empreendimentos, eu falei para você deixar isso para quando meu trabalho acabasse.
- Ricardo, fique calmo. Eu só vim sondar o prefeito. Não vamos começar nada. É só conversa.
- Cara, olhe lá o que você vai me arrumar. Esse negócio é grande e para ganhar muito dinheiro, mas se não souber falar direitinho com o Caetano, vai tudo por água abaixo.
- Fique tranqüilo. Deixe comigo. Sábado passe lá em casa para conversarmos e eu lhe contar a conversa com o prefeito. Tchau!

O plano de Ricardo era fazer da ilha um ponto turístico moderno. Ele convidou   Vasconcelos, um dos donos de uma Construtora, a erguer um grande hotel na ilha. Vender a ideia para o prefeito e assim ganhar dinheiro. Ricardo achava que ali era o lugar ideal para isso, tal a beleza da ilha e sua localização. Margarida que estava junto com Jani olhando as gravações, escutou essa conversa e não entendeu nada, apenas que era alguma coisa com a ilha. A moça comentou com Januário o que ouviu. O rapaz fez um comentário pensativo:

- Qualquer dia, vou embora disso aqui.
- Você vai pra onde, Januário? Perguntou Margarida admirada.

- Pra lugar nenhum. Você ouviu errado. 

                                                                     continua...

by Didi Leite

       

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