ARTE DAS LETRAS

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA - Romance - 25o. Capítulos


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -   Romance

                                           25o.Capítulo

                                           ... continuação

Ricardo pagou a Getúlio a metade do valor pelo uso do espaço da ilha. Cauê disse a Getúlio que era melhor falar com padre Paulino  para saber como faziam para receber aquele dinheiro, já que foram pagos com cheque.  O padre aconselhou-os a abrir uma conta no banco e depositar aquele cheque, o valor era muito alto para andarem com aquele dinheiro nas mãos.
- Vamos ao banco, vocês abrem uma conta no nome de vocês dois. Vou com vocês ao banco. Disse o padre.

Os dois pescadores falaram que a primeira coisa que iriam comprar eram motores para os barcos.
- Isso vocês podem comprar na cidade vizinha. Eu levo vocês de carro. Meu carrinho é velho mais é bravo. Assim, vocês compram,pagam e trazem os motores na hora. Quantos motores vão comprar?
- Três motores, não é Cauê? Um pro barco do Justo, outro pro Zé da Conceição e um pro meu barco. Cauê , você não quer aproveitar e comprar logo um pro seu barco também?
- Não. Getúlio, o meu barco ainda está com o motor bom.. Não preciso de motor novo, não.

             Os dois agradeceram ao padre pela ajuda e voltaram para a ilha. Quando Cauê chegou, viu Elizabete sentada na areia. Ele foi falar com ela.

- Tá sozinha aí, tá triste,  Elizabete?
- Não! Estou descansando. Cauê, meu trabalho está terminando. Mais uns dias, acabo e vou embora.
- Você vai deixar saudades! Gostei da sua presença. Você é moça boa!
- Também vou sentir saudades de todos vocês. Mas é assim mesmo,quando já estou ficando acostumada com o lugar, já é hora de ir embora. Vou fazer meu relatório e entregar para as autoridades, lá no ministério. Cauê, vou colocar esta ilha como reserva natural. Vou recomendar que esta ilha seja transformada em parque ecológico. Isso aqui está intacto, preservado. Nos meus estudos encontrei vegetação nativa, muitas flores raras e pássaros que em outros lugares da Mata Atlântica já estão quase em extinção. Essa ilha tem que ser preservada. Vocês não devem deixar que ninguém venha destruir isso aqui.
- Por mim ninguém entra aqui e mexe em nada. Mas o governo... Hoje, tenho pesar de não ter insistido com Getúlio e vó Miranda pra não aceitar essa gente da TV. Ganhamos dinheiro, mas será que isso vai valer a pena?
As moças e rapazes, quer dizer, todo mundo está de cabeça virada. Nem a ciranda tá encantando minha gente. Vó tá triste.
- A gente não consegue fugir do tal progresso. Todos os dias, algum lugar, alguma praia, algum rio, alguma nascente  e cachoeira é invadida por gente da cidade. Eles estão sempre buscando um lugar desconhecido, parecem que querem fugir da cidade.
- Até quando você fica aqui?
- Não sei, talvez mais um mês. Por que?
- Mês que vem é aniversário de Jani. Ela faz dezoito anos! Vamos fazer uma ciranda bonita, e você já está convidada. É no início do mês.
- Pois estarei aqui. Gosto de Jani. Ela é uma moça criança.
- Jani é minha vida, ela é minha irmã mais que querida. Mas não pode-se  deixar ela solta, só faz bobagem.
- Cuida da sua irmã, Cauê. Ela é muito bonita e muito ingênua. Bem, vou voltar para o meu trabalho.

Sebastião queria falar com Cauê.  O presente que fizera para o amigo já estava pronto. Ele queria, também, conversar sobre seus planos de mudar-se da ilha. Achou Cauê sentado lá nas pedras, lugar de retiro para onde ia quando queria ficar só.
- Cauê!  Poxa! Estou procurando por você há um tempão! Disse Sebastião ao chegar às pedras.
- Estou aqui, Sebastião. Estou pensando na vida, na nossa vida. O que você quer  comigo?
- Cauê, tomei uma decisão e quero que você seja o primeiro a saber. Vou embora da ilha.
- Como é que é? Você vai embora? Pra onde? Por que? Tá louco?
- É isso mesmo. Não tô louco, não. Vou por causa do meu trabalho. Lá na capital terei mais chances de progredir no meu trabalho. Lá tem mais oportunidade de trabalho. Vou vender minhas esculturas, aprender a trabalhar com outros instrumentos. Se aqui, já vendo tudo o que faço pros turistas, imagina lá na capital.
- Mas, homem, você já ganha seu dinheiro aqui, pra que você vai se meter com gente que não conhece? Olha, aqui você está entre amigos, lá vai ficar sozinho. Pensa nisso!
- Já pensei em tudo. É decisão tomada na minha cabeça. Vou embora viver minha arte. Só estou com problemas com Ariel, que quer ir junto comigo.
Já disse pra ela que não posso levar ela assim, sem saber onde vou morar. Mandei que ela me esperasse. Eu ia, via um lugar para morar e depois eu voltava, a gente casava e aí, sim, nós íamos juntos embora.
- Mas e a sua família? Vai deixar eles pra trás?
- Já falei com a mãe e o pai, eles entenderam e aceitaram tudo, só pediram que eu não sumisse, que nem Cristóvão. Mas, aqui na minha cabeça, já pensei em tudo. Depois que estiver bem firme no trabalho e tiver uma casa minha,venho buscar eles. O pai não vai poder ser pescador a vida toda, não vai pescar até morrer. Ele tem que descansar!
- Se você tira seu pai do mar, aí é que ele morre. Sebastião, olha o que você vai fazer!
- Meu amigo, a vida corre, e a gente tem que ser mais ligeiro que a vida, tem que correr atrás do sonho da gente.
- Quando você vai fazer esta loucura?
- Mês que vem. Vou conversar com os pais de Ariel, arrumar minhas coisas e vou embora.
- Então, no aniversário de Jani, você ainda está por aqui?
- Tô sim. Vamos lá em casa comigo, quero lhe dar o presente que fiz pra você.
- Presente pra mim? Mas eu nem faço anos! Presente de que?
- É surpresa. Vamos lá. Você vai gostar.

                                                          continua...

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google



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