ARTE DAS LETRAS

sábado, 14 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 23o. Capítulo



A ILHA DA PEDRA BRANCA  -  Romance

                                             23o. Capítulo

                                             ... continuação


Logo, vieram chegando Ariel e  Jani. Curiosas ficaram olhando tudo, deslumbradas com tantos artistas.  
Cauê chegou perto de Jani e falou:
- Não tem o que fazer em casa? Vai ficar aí o dia inteiro olhando isso?
- Só vim pegar os peixes pra mãe. Já vou embora. Trouxe camarão? A mãe quer camarão e dois peixes grandes.
- Vamos lá levar isso. Pega o camarão, que eu levo os peixes, anda!

E assim eram todos os dias, gravações e muita conversa dos atores que esperavam para entrar em cena. Lentamente, os artistas começaram a circular pelos arredores da ilha. Sebastião continuava a fazer seus entalhes sem parar para ver aquelas histórias de mentira. Numa dessas vezes, um ator ficou olhando o trabalho do rapaz. Ficou admirado com a perfeição e beleza dos entalhes.

- Que maravilha esse trabalho! Como é mesmo o seu nome?
- Sebastião.
- Onde você mostra, vende suas esculturas?
- Lá no continente. Quando já tenho algumas prontas levo pra lá e vendo. Também recebo encomendas de gente de fora que está passando por lá.
- Mas você tem que levar isso para a cidade grande. Você é um artista! Já pensou em fazer uma exposição dos seus trabalhos? Você venderia tudo e ganharia muito mais dinheiro do que você ganha vendendo para turistas.
- Não, nunca pensei nisso, não! Tá bom como tá.
- Não! Você tem que mostrar ao mundo suas esculturas! Veja Fernandinha, que maravilha é o trabalho do Sebastião, ele é um verdadeiro escultor.
- Nossa! Mas isso é muito lindo! Quero comprar para levar para minha casa. Você me vende?
- Vendo, uè!
- Também vou comprar umas e levar para botar na minha casa lá na serra.

Os trabalhos de Sebastião ficaram famosos entre o pessoal da TV. As esculturas chegaram à capital, e muitos artistas ficaram interessados nas esculturas. A TV mandou uma jornalista ir à ilha fazer uma reportagem sobre o assunto e entrevistar o artista.  O dono de uma galeria de arte quis expor algumas das esculturas de Sebastião. De repente a fama do rapaz tomou conta de alguns donos de galerias de artes. Um programa dominical da TV convidou-o para ir à capital e se apresentar no programa com sua obra. Sebastião ficou atordoado, mas feliz pelo reconhecimento do seu talento. Em um mês ele ganhou mais dinheiro do que toda a sua venda, naquele ano, na pracinha da cidade do prefeito Caetano.      Ariel assistia a tudo isso e falava para Sebastião:

- Viu? Eu não disse pra você que devíamos ir embora daqui? Eu não disse que você ganharia mais dinheiro vendendo seu trabalho lá na cidade grande?  Então  Sebastião, vamos embora!  A gente volta para visitar nossas famílias. Vamos pra cidade grande, vamos pra capital!

- Calma Ariel! Eu não tenho certeza de nada. Eles ficam falando, mas e depois? Onde vamos morar? E se ninguém comprar mais meus trabalhos? Temos que pensar. Era melhor eu ir sozinho, ver as coisas como são e depois voltar. Se tudo for bem, a gente casa e vamos morar lá na capital.
- Não! A gente vai junto daqui. A gente casa, padre Paulino casa a gente e pronto!
- Ariel, tenho que falar com seus pais, tenho que ver onde vamos morar lá. Não pode ser assim tudo correndo como você diz.
- Então você não gosta de mim como fala. E se você chegar lá e outra moça grudar em você? E se você gostar dela também? E eu?
- Tá falando bobagem. Você sabe que gosto muito de você. É com você que quero viver.  Deixa eu pensar. Vou pensar nisso com calma.
- Calma, calma! É só o que você me pede. Sebastião, seu retrato já saiu até no jornal  junto com seus trabalhos.
- Ariel, me deixa trabalhar. Para de falar na mesma coisa. Já disse que vou pensar.
O rapaz saiu de perto da moça e foi terminar o presente que ia dar a Cauê.

Agora, enquanto os pescadores iam ao continente vender seus pescados, Jani e Margarida iam conversar com o pessoal da TV. Elas se arrumavam, pintavam os lábios e ficam por ali olhando e perguntando uma série de bobagens sobre a novela. Numa dessas vezes, Celso disse para Jani:

- Você tem um rosto muito bonito. Você deve fotografar bem. Quer fazer um teste de brincadeira?
- O que isso?
- Eu enquadro seu rosto e filmo você. Depois a gente vê aqui no monitor.
Quer fazer isso?
- Ah! Quero! Mas não deixa meu irmão saber, senão ele mata a gente.
- Bobagem! Vem cá. Senta aqui na areia que vou filmar você.
E Celso foi falando o que Jani devia fazer e ele foi filmando.
- Jani, sorria! Agora jogue a cabeça para trás! Levante os cabelos com as mãos e olhe lá para o mar!  Fique séria!  Abaixe a cabeça e olhe com o canto dos olhos! Sorria bastante!  Isso! É isso aí. Agora, diga alguma coisa, qualquer coisa, vou gravar sua voz.
- Mas o que eu vou falar? Assim, sem ter uma ideia. Vou dizer que estou gostando disso tudo.
E Jani caiu na gargalhada.  Celso gostou do que viu e mandou ela parar.
- Pronto. Chega isso. Vem chegando sua gente aí. Depois mostro a você como ficou.
Era Cristóvão que veio chamar Jani. Disse que a mãe  estava procurando por ela. A moça saiu fula de raiva e andou rápida antes que Cristóvão lhe falasse alguma coisa.


Calmamente, Elizabete veio se aproximando da tenda onde estava Ricardo. A bióloga entrou dando bom dia e disse que queria falar com ele.

                                      continua...

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

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