ARTE DAS LETRAS

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 21o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA - Romance

                                      21o. Capítulo

                                                  ...   continuação

                            -   SEGUNDA PARTE   -


Ricardo entrou na prefeitura cedo, foi se juntar a Caetano, hoje era o dia de acender a primeira lâmpada elétrica na ilha. A lancha da prefeitura já estava esperando por eles. Ricardo levava um presente para os ilhéus de Pedra Branca. Eles só estavam esperando os pescadores acabarem a venda dos peixes, para tomarem a lancha e irem inaugurar a luz.

-  Ricardo, estou louco para acabar logo com isso.  Disse Caetano
-  E eu para começar meu trabalho. Se demorar mais um pouco começo a ficar atrasado com as gravações. Estou ansioso para ver a cara deles, a reação deles diante de tudo isso. Sei que não vão ficar agradecidos. Meu amigo, pobre nunca fica satisfeito com o que se faz por ele. E nunca é  grato.

- Sabe o que acho, Ricardo? Eles gostam da vidinha que levam. Têm costumes arraigados. Se tudo começa a ficar bom e a ficar fácil, eles não gostam, não. E tudo sempre é pouco, por mais que você dê, faça, eles sempre acham que ainda temos obrigação de fazer mais. Gente estranha é pobre

- Não é nada disso.  Todo homem, todo ser humano gosta de conquistar suas coisas com seu trabalho, com seu esforço. Ganhar sempre vai parecer esmola, favor, e, se sentem devendo obrigação. Disse Davi, que veio acompanhando Ricardo.
Um funcionário da prefeitura entrou na sala e avisou a Caetano que os pescadores já estavam indo embora.
- Então, vamos lá minha gente. Ricardo, cadê o Celso?
- Ele ficou lá na emissora arrumando toda a nossa infraestrutura para semana que vem fincarmos nossos pés na ilha e começarmos a trabalhar.

A lancha da prefeitura chegou e todos desembarcaram nos barcos. Os moradores da ilha olhavam e viam aquela comitiva que vinha carregada. Que caixas seriam aquelas?  Getúlio, Cauê, e os moradores foram se aproximando da praia. Curiosos esperavam por eles. Jani curiosíssima dava palpites junto com as amigas. Até Elizabete ficou ponderando o que seria tudo aquilo. Parece que ela estava  ali para defender a ilha de qualquer invasão.

O prefeito e Ricardo cumprimentaram Getúlio e os outros pescadores, de longe, de pé, um balaustre da ilha tudo espiava: vó Miranda.

- Finalmente, vamos acender a primeira lâmpada, meu bom amigo Getúlio! Disse Caetano, fingindo uma intimidade com o pescador.
Todos foram para o galpão da escola.  Um funcionário atarraxou a lâmpada no bocal preso a um fio no teto (aquilo era bem uma gambiarra),  o prefeito acionou o interruptor e tudo ficou claro.
As crianças bateram palmas e deram gritos de satisfação. Alguns pescadores e mulheres riram também. Caetano improvisou um pequeno discurso cheio de prosopopeias, demagogias e prometeu novas melhorias para a ilha, como um posto de saúde, com médico e tudo. Iria ver o saneamento e água corrente para todas as casas. Depois, mandou que o funcionário abrisse a caixa onde havia dúzias de lâmpadas. Como em casa  só havia  um ponto de luz, mandou que quem quisesse luz nos demais cômodos dessem o nome, para que depois os funcionários da Companhia de eletricidade viessem fazer as demais instalações. Lâmpadas tinham para todos. Depois de tudo isso, agora era a vez de Ricardo presenteá-los.
- Meus amigos, eu estou contente por vocês. A TV NORTE SUL BRASIL, me fez portador de  presentes para vocês num momento histórico como este.
 Dizendo isso foi abrindo a caixa com a TV nova, Era uma televisão de tela plana, de quarenta e duas ou mais polegadas, HD, com imagem nítida e colorida. Tudo instalado ligou-se a TV e a imagem surgiu esplendorosa, em comparação a da TV antiga em preto e branco. Todos ficaram seduzidos pelas cores e pela imagem.

- Agora, tem esse aparelho que é um DVD, isso passa filme e tudo que se gravar. Isto será de grande utilidade para a professora que dá aulas aqui,
Em seguida introduziu um filme no vídeo, que era uma gravação  das proximidades da ilha,  a praia e as duas pedras grandes na enseada,  com uma bonita trilha sonora.  Todos ficaram maravilhados e reconheceram sua ilha, ali, filmada e reproduzida na grande tela da TV.  Ricardo continuou sua distribuição de presentes.
- Minha gente, trouxe três televisões, em tamanho menor, para serem sorteadas entre vocês. Estas são para dentro de casa, por isso são menores.
Queria que cada um tirasse um número daqui desta caixa, em cada embalagem de TV tem um número colado, se alguém tirar esse número, esta pessoa será a ganhadora  da TV. Você, mocinha, vem aqui e tire um número e guarde sem mostrar qual é.

 E assim todos tiraram um número da caixa. Esgotados os números, Ricardo descolou o primeiro adesivo sobre o número constante na TV. E a primeira saiu para Justo, pai de Açucena, a segunda saiu para Sebastião e a terceira para Margarida. Todos sorriam, menos Cauê que a tudo olhava sério e desconfiado. Elizabete censurava em seu íntimo aquela circo que Ricardo armara. 
       
                                                  CONTINUA...

by Didi Leite




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