ARTE DAS LETRAS

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 20o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -   Romance

                                          20o. Capítulo

                                          continuação...


- Olha, põe esta flor no cabelo. Qual cor você quer?
- Não sei. Acho que não vai ficar bom, nunca usei flor no cabelo.
- Vai ficar bom, sim! Flor dá colorido, dá alegria, a ciranda é coisa alegre. Você tem cabelo preto, vai ficar bonita com esta flor amarela. Deixa que eu prendo.
As duas estavam rindo, quando chegou Jani trazendo o batom.
- Ó Açucena, você já tá de batom! Este é da Elizabete, é? A cor é mais bonita. É outro vermelho,  é mais escuro.
- Pois é, Jani, a Elizabete me emprestou o dela.
- E o que é que você botou na bochecha? Tá um colorido bonito...
- Não sei, é batom também, não é Elizabete?
- Vem cá Jani, que faço isso no seu rosto.
 E Jani chegou-se para perto, e, a bióloga esfumou um pouco de batom no rosto da jovem. Ficou ótimo! As duas mocinhas estavam lindas!
- Poxa! Que bonito que ficou!  Admirou-se Jani.

Lá fora, Cauê já começava a tocar sua viola. Açucena disse para irem andando, pois a fogueira já estava acesa e já se ouvia o som da viola. As três foram saindo, e Jani reparou e elogiou o vestido de Açucena no corpo de Elizabete.
- Tá bonito este vestido. Parece que foi feitinho pra você. Fica diferente, deve ser porque você é da cidade, é mais elegante...

As três chegaram ao terreiro, vó conversava com Ceição. As outras moças ficaram olhando o jeito de Elizabete, esta foi direto falar com a idosa, Ceição saiu de perto e as duas ficaram a sós.

- Vó,  obrigada por ter  deixado  eu ficar aqui e ainda me convidar para a sua ciranda. Disse a bióloga.
- Contra a natureza não podemos fazer nada. A ciranda é de todos aqui da ilha. Você tá bonita. Sua gratidão quero de outra maneira.
- Como?
- Um dia você vai saber. Fique aqui e se alegre com a gente na ciranda.

Cauê olhava Elizabete e simultâneo à Açucena. Admirava a beleza das duas. Uma de ar atraente, a outra de ar doce. Vó fez menção de começar o canto. Chamou Açucena para perto e disse que aquela noite era ela que iria puxar  o início da ciranda. A moça  deu um passo à frente e começou a cantar com voz clara e firme.
Cirandando levo a vida
Pontilhando minha viola
Em roda roda o amor
Dentro de mim agora....

E a roda começou. Jani de mão com Elizabete, de mão com Ceição, de mão com Getúlio, de mão com Ariel, de mão com Donato, e assim a roda foi aumentando, todos cantando e dançando. Cauê sentiu vontade de dançar àquela noite. O rapaz pegou na mão de Açucena e entraram na roda. Vó Miranda viu e riu satisfeita.

No final da festa, depois que já haviam comido, bebido, cantado e dançado, muitos já iam embora. Vó chamou Cauê, queria falar com ele.

- O que é,  Vó?
- Cauê, você já tá homem feito. Preste atenção no que vou lhe dizer. Seus olhos puxam você pra um lado, seu coração pra outro. Você tem que saber qual o lado você quer. Olha pra dentro do seu coração. É dentro dele que tá sua vida, seu destino, sua felicidade. Juntei as duas debaixo do mesmo teto pra você vê a atração junto com amor de coração. Você tem que levar este barco por caminho certo pra não bater nas pedras. Rema devagar pra olhar o lugar que vai passar.
- Eu sei vó. Sei o caminho que estou pisando. Não tem nada, não.
- Há muito tempo que sei do seu gostar por Açucena. Quer um conselho? Não deixe o tempo passar muito, não. Logo vai chegar gente nova na ilha.
Ostra com pérola solta no mar não tem dono. Alguém pode chegar e se apossar.

- Não tenho nenhum saber  se Açucena gosta de mim, assim de coração inteiro como gosto dela.  Quanto a Elizabete, ela é só uma amiga.
- Mas homem, você ainda tem dúvida do gostar de Açucena por você? Ah, então, meu filho, você tá muito cego, muito surdo e muito bobo. Se você gosta dela com o coração inteiro, ela gosta de você com o coração e a alma inteira. E a doutora é amiga, mas é   mulher. E mulher bonita.
Vó Miranda deu, carinhosamente, uns tapinhas no rosto do rapaz e foi indo embora para casa.

                   Padre Paulino foi à ilha como havia prometido aos pescadores, para dar-lhes a ideia do valor a cobrar pelo espaço que a TV ia usar para as gravações da novela.
- Donato, onde está Getúlio?
- Vou chamar, espera um momento, padre.
Donato chamou Getúlio, Cauê e Zé da Conceição. Os três pescadores vieram encontrar o padre e seguiram para casa de Getúlio, já que o galpão estava ocupado  com a professora e as crianças em aula.
- Senta aí padre, fica à vontade. Aceita um cafezinho?
- Não, obrigado. Já tenho o valor que vocês podem pedir à Televisão.
- E quanto é isso? Disse Zé da Conceição.
- Prestem atenção: se eles pagam mil reais para filmar uma casa por fora, apenas alguns minutos e vão usar esta imagem várias vezes, a mesma imagem.  Então, filmar vários dias em todo o espaço da ilha, creio que vocês podem cobrar de cem a cento e vinte mil. Para dividir isso e cobrar por mês, será preciso saber quantos meses irão ficar na ilha.
- Pois a gente cobra é cento e cinquenta mil.  Disse Cauê.
- Com esse dinheiro quantas coisas poderíamos fazer aqui na ilha pra todos!   Comprar motores novos para os barcos!  Disse Getúlio.
- Construir a capelinha que tanto falo. Disse o padre.
- Também temos que dar um pouco a cada família, todos têm suas necessidades, esse dinheiro é de todo mundo. Ponderou  Cauê.
- Bem, agora vocês já sabem o que fazer. Vou até a casa da vó  fazer uma visitinha e depois me vou.   
                                                      
                                           FIM DA PRIMEIRA PARTE

                 continua segunda parte....

by Didi Leite 

Ilustração Imagem Google





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