ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 10 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 19o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA  -  Romance

                                         19o. Capítulo

                                         ... continuação


Jani apontou no terreiro, voltando em carreira com a resposta da vó.
- Olha, a vó disse que isso não tem nada, não. Mas é melhor você dormir a noite lá na casa de Açucena. Lá é maior e tem menos gente., Já passei na casa dela e tá tudo bem. Você pode ir para lá, eu levo você na casa da minha amiga. Açucena é muito boa. Ah! E a vó disse que você tá convidada pra ciranda logo mais.

Cauê ficou aliviado. Incentivou Elizabete a ir à ciranda. Sobre dormir na casa de Açucena o rapaz falou:
- Elizabete, você pode dormir lá. Açucena é a moça mais educada e mais meiga desta ilha. Açucena é amiga, é prestativa, é uma criatura adorável. Você vai gostar dela.  Vamos lá, vou apresentar você aos pais dela.
Jani ficou olhando o irmão e sentiu ciúme dele pelos elogios que fez à amiga. Todos foram para casa de Açucena.  Dona Conceição veio esperá-los na porta, junto com a filha. Cauê apresentou a bióloga:

- Dona Ceição, vim trazer a Elizabete. Ela ficou presa na ilha com essa chuva. A senhora dá um cantinho pra ela dormir esta noite.
- Mas pode entrar que a gente de noite estica a casa. Dá todo mundo debaixo desse teto. A senhora fica à vontade.
- Desculpe o transtorno que estou dando. Lamentou a bióloga.
- A senhora vai dormir no meu quarto, é grande, fresco e dá pra nós duas. Tem muito espaço. O pai já botou a rede lá. A senhora escolhe onde quer dormir, se na cama ou na rede. Não fica vexada, não. Se for amiga do Cauê, é nossa amiga. Disse Açucena sorrindo.
- Não precisa me tratar de senhora, me trate de você. Disse Elizabeete.
- Hoje, vai ter ciranda, olha as estrelas já surgindo no céu e nem escureceu de vez. Cadê o Justo?  Perguntou Cauê.

- Ora, Justo foi ver as redes. Ele pensa que vai dar pra botar rede esta noite. Eu já disse pra ele que tá perigoso. Parou de chover, mas o vento tá batendo solto. Cauê, tira isso da cabeça do Justo, deixa rede pra amanhã. Pediu dona Ceição.
- Elizabete, logo mais vou esperar você na ciranda, a vó convidou. Disse Jani.
- Bem, vamos embora, Jani, daqui a pouco já é noite fechada. Obrigado, dona Ceição.
Açucena foi levar os dois irmãos até o portãozinho e aí Cauê disse a ela:
- Eu sabia que podia contar com esse seu coração bom e doce. Você é uma moça muito boa, Açucena.

A moça sorriu e entrou em casa para acomodar sua hóspede. No caminho para casa, Jani, mordida de ciúme, falou para o irmão:
- Mas que tacho de melaço, hem Cauê! Não sabia que você gostava tanto assim da Açucena, não. Parecia  até doce de leite mole quando você encheu ela de elogio.
- Jani, Jani, deixa de história!
- Você põe elogio em todo mundo, pra mim só desprezo. Nunca vi um irmão tratar tão mal assim a irmã.
- Não é nada disso. Você é a moça que eu mais gosto. Você é minha irmã que fica no meu coração.  Mas tem que tomar jeito de moça, Jani. Tem que ficar mais junto da mãe. Você só faz besteira.
- Quer saber? Eu nem ligo mais pra você. Dito isso a moça saiu correndo para casa deixando o irmão rindo dela.

A noite chegou  e era quase hora da ciranda. Nem parecia que à tarde tinha havido aquele temporal. Elizabete estava sentada na rede, escolheu a rede para dormir, enquanto Açucena dizia:
- Você quer ir com um vestido na ciranda? Esta sua roupa ainda tá molhada, as pernas da calça não secaram, não. Tenho um vestido quase novo, tá limpinho, quer emprestado?
- Não precisa. Nem sei se vou à ciranda. Fico sem jeito.
- Que nada! Se você não vai, vó fica aborrecida. Vamos sim. Olha veste este vestido. É simples, mas é bonito. Nós temos a mesma altura, vai dar em você.
- Então, está bem. Vou experimentar para ver como fica. Disse Elizabete, meio sem graça. Ela começou a trocar de roupa e Açucena foi para o armário, ficando de costas para a bióloga.
- Acho que ficou bom, veja Açucena. Estou parecendo uma mocinha aqui da ilha.
- Viu? Deu direitinho em você. Agora, é só pentear os cabelos e pronto.
- Vou passar meu batom. Sabe que não sei ficar sem batom? Para onde vou, o levo nesta frasqueira.  Dito isto, Elizabete começou a escovar os cabelos.
Açucena olhava tudo com curiosidade. Aí, Elizabete se ofereceu para escovar os cabelos da moça. Ela aceitou e ficou imóvel, enquanto seus cabelos eram escovados. A bióloga prendeu os cabelos com grampos e passou batom nos lábios. Açucena lamentou dizendo que elas tinham comprado um batom, mas ficou na casa de Jani. Elizabete ofereceu o seu e ainda fez mais, bateu com o batom na face da moça, esfumou dando a impressão que ela tinha usado blush. Depois pintou os lábios de Açucena. E a moça disse que ia botar uma flor no cabelo, como fazia todas as noites de ciranda. Ela correu no quintal da casa e pegou duas flores de Hibisco, uma vermelha e outra amarela. Voltou e ofereceu uma à Elizabete:

- Olha, põe esta flor no cabelo. Qual cor você quer?

                                                     continua...

by Didi Leite

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