ARTE DAS LETRAS

domingo, 1 de novembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 10o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA    -  Romance

                                                10o. Capítulo

                                             ... continuação

Já eram três horas da tarde, quando Ricardo entrou na sala do prefeito, todo animado falando alto e rindo:
- Caetano, já está tudo certo, semana que vem a luz vai ser instalada na ilha!
- Mas já?! Tão depressa assim? Como conseguiu isso?
- Ah, meu caro, ordem do Ministro!  A coisa vem lá de cima. Não lhe disse que bastava eu falar com meu pessoal lá da direção da TV e tudo se arranjava?
- É, vocês têm poder!
- Caetano, quem tem uma emissora de TV nas mãos só não consegue o que não quer. Todo mundo quer apoio, todo mundo quer estar bem com uma TV. Tudo é na base da troca. Você faz o que eu lhe peço e em troca lhe dou meu apoio. Ponho o canal da emissora à sua disposição. E TV  é coisa cara!
Todo mundo quer algo de graça!
- Bem, neste caso não é  bem de graça. Um dá e recebe algo depois. É  dando que se recebe, não é?
- É por aí. Lembre-se que uma mão lava a outra, e as duas lavam o rosto.
Vá se preparando porque você irá  à ilha com a gente dar esta notícia.Você vai ser o ¨santo¨ deste milagre. Olhe a reeleição aí...
- Claro! Nesta eu vou com todo o prazer, embora ache a travessia até lá uma coisa chata.
- Amanhã! Amanhã fiquei de voltar lá para saber a resposta do velho.   Vamos antes da hora do almoço. Quero acabar logo com isso e voltar para a capital, ainda amanhã mesmo. Tenho sete meses para começar essa novela, e ela ir para o ar.  É o tempo que dura a que está no ar agora.
- É, mas não adianta ir muito cedo, eles vêm aqui de manhã vender o pescado deles. Coisa rápida, vendem logo. Por volta de onze horas já  foram embora.
- Pois então, sairemos daqui antes das onze horas.
- Combinado. Mas e a doutora Elizabete?
- Esta foi para lá hoje. Daqui a pouco deve chegar por aí. Ela me disse que ia só ver por onde começaria seu trabalho. Marcou para que a lancha fosse buscá-la às quatro horas, não queria estar no mar ao anoitecer, tem medo do mar à noite.

Eram duas horas da tarde, quando Elizabete chegou à ilha.
Dispensou o bote, mergulhou e foi a nado até a praia. Estava descalça, molhada, roupa encharcada colada ao corpo, cabelos escorridos. Trazia um pequeno saco impermeável preso às costas. Foi Cauê quem a viu chegar. O rapaz já estava acompanhando as braçadas da moça na água. Logo que chegou a moça se pôs de pé saindo da água. Deu alguns passos e sentou-se na areia seca. O rapaz não saiu do seu lugar, apenas olhava e pensava:

 - Que doideira é esta? Mulher abusada! Tá cansada,  nadou um pedacinho de nada e já tá que nem gato sem fôlego.
- Boa tarde! Disse Elizabete ainda ofegante. Ela já havia visto Cauê.
- Boa tarde!  A senhora se perdeu da sua gente?
- Não! Vim sozinha mesmo. Queria ver seu Getúlio para que ele me indicasse alguém que pudesse me levar no início da mata. Quero ver e marcar por onde vou iniciar meu trabalho. Ele está ai?
- Mas se é só pra isso, eu posso levar a doutora lá nas franjas. A senhora escolhe o lugar. Há várias trilhas...
- Como é seu nome mesmo?
- Sou Cauê.
- Pois então, Cauê, vamos combinar uma coisa desde já.  Por favor, não me chame de doutora, porque não sou doutora em nada, sou apenas uma Bióloga. E também não precisa me tratar de senhora, pois não sou idosa e nem casada.  Pode me chamar só de Elizabete e me trate por você. Combinado? Prefiro assim.
- Está certo,  Elizabete.
- Então, Cauê você pode me levar até essa franja da mata?
- Quer ir agora, assim toda molhada?

- Ah, isso não tem importância. Já estou acostumada. No meu tipo de trabalho enfrento chuva, vento, lama, atoleiro... A roupa, daqui a pouco, estará seca, com esse calor e essa brisa do mar seca fácil.


Elizabete era uma moça simpática e cativante. Era bonita, sem exageros, morena clara, cabelos pretos, olhos indefinidamente esverdeados, estatura mediana, devia ter um metro e setenta de altura, no máximo.Não usava pintura de dia, apenas um batom vermelho nos lábios, coisa que ela dizia que não abria mão. Usava um perfume, o qual marcava, e não dava para esquecer. 

- Bem, vamos lá? Disse Elizabete levantando-se da areia.
- Vamos! É perto, é logo depois daquelas pedras. Ali começa a mata.

Alguns moradores olhavam os dois na praia, entre eles Açucena, Zé da Conceição, Jani e Januário. Jani fez menção de ir lá perto deles, a que Zé mandou que ninguém fosse junto deles. Deixassem Cauê resolver as coisas sozinho. Mas a moça era educada e acenou para todos dando boa tarde.

                                                  continua...

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

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