ARTE DAS LETRAS

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

POESIA - A XÍCARA E A CRISTALEIRA



A XÍCARA E A CRISTALEIRA

Olhava para ela,
e ela pra mim.
Ela me encantava,
e, fascinada, ficava eu
a examiná-la quando saía
do armário.
Aquele correr de xícaras
penduradas pela asa
nos ganchinhos sob as prateleiras
do armário, que se mostravam
pela vidraça fronteiriça da porta,
eram minha distração.
Eram xícaras de louça fina,
que não chegavam à porcelana,
amarelas ou cor de abóbora?
Cor entre este dois tons.
Tinham um quê de halo
que não dá explicação.
Havia uma pintura em verde
de uma paisagem qualquer
onde pequenas palmas de coqueiros
davam impressão,
sei hoje, de um paraíso
de uma praia do Havaí.
Eu ficava bom tempo
apreciando por trás da vidraça
aquele mundo encantado de louça,
coisa que na minha casa não havia,
só mesmo canecas de ágata e alumínio.
Quando escapavam do ganchinho,
aquelas xícaras vinham fazer par
assentadas  sobre pires de igual cor
e desenho pintado.
Que beleza bem casada!

Só uma peça de móvel
 havia na minha casa,
e que ali ninguém tinha,
uma linda cristaleira,
toda em vidro, que deixava ver
copos, taças e cálices,
que ficavam ali eternamente,
pois  vinho  e  licor
nunca passaram lá em casa, não.
Mas que móvel lindo
era uma cristaleira!
E que trabalho dava limpar
toda aquela  vidraceira!
Mas na minha casa tinha uma cristaleira!

by Didi Leite
Ilustração Imagem Google


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