ARTE DAS LETRAS

sábado, 10 de outubro de 2015

POESIA - FAZENDEIRA DO NADA


FAZENDEIRA  DO  NADA


Já  tive uma fazenda.
Já tive uma mina de ouro.
Foi minha uma montanha de bens!
Fui rica, bela, esbelta,
de  dura e fresca carne,
possuía um correr de marfim no sorriso,
olhos negros, quentes  de queixumes.

Já tive um cofre de  sabores,
uma arca de amores,
uma  cesta de flores.
Percorria com lucidez
E avidez caminhos cruzados,
E de todos achava a saída brilhantemente.

Já tive poder,
Já tive mando,
Já tive joias únicas,
Ouro nas panelas, renda nas janelas.
Já tive roupas que até  as  esquecia,
Sapatos, bolsas que nem sabia,
Enfeites, adornos e perfumes importados.
Já fiz leituras boas, livros  clássicos.
Já tive carros,  relógios de várias  modelos.

E homens enamorados.
Já filmei, fotografei, voei, viajei...
Por esse mundo adentro,
da praia ao centro...
do norte ao sul.

Já tive vários  sons e ouvi músicas boas.
Congelei, lavei, assei, em maquinas caras,
Tive casa bonita, moveis sob medida.
Frequentei a noite,
Vi shows, fui a praias, bebi vinhos e licores aromáticos.
Tive tudo que queria e inventava ter.
Já tive minhas virtudes e também meus pecados.

Mas um dia decidi tudo perder
sem  saber por que?
E gradativamente fui perdendo tudo, até a saúde.
Hoje, só restou eu,
Sem nada, necessitada de tudo.
Não vai dar mais para recomeçar.
Melhor é empurrar a vida e todas as lembranças
para baixo do tapete,
mas não há mais tapete....
então, viver sem me perceber.
Sem ter.
Só ser.
Só viver!

by Didi  Leite




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