ARTE DAS LETRAS

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

POESIA - DESCULPAS QUE CABEM



            DESCULPAS QUE CABEM


Arrebentou?  Era fraco.
Cansei?  Deixo o tempo passar.
Ficou chato? Saio de perto.
Não quero?  Dou uma desculpa.
Desculpa esfarrapada?  Ninguém percebe.
Se perceberem?  Ainda tenho o papel de vítima.
Não sou o que sou?  Só eu sei.
Tenho que mentir?  Mentirinha de nada.
Tenho que aturar?  Que remédio...
Tenho que cortar?  Esvazio primeiro
Colou no meu pé?  Arrasto no chão.
Tempo de menos?  Planejamento aquém.
Vivo de menos?  Perco o trem da vida todos os dias.
Finjo?  Tem gente que pede isso.
Vejo além da aura alheia?  Dom ou azar meu.
Escuto palavras que estão só no pensamento do outro.
Sofro mais, a verdade está ali mesmo.

Então que dom é esse
 que se pode ouvir o que dito não foi,
que se pode ver a mentira bem tecida,
o cansaço e o enfado no coração,
que passa perto e não para,
ver a falsidade se alternando com a verdade,
juras sem fundamento algum,
o desvio constante por um atalho mais perto,
um sorriso chinês,
um ciúme que se tenta esconder,
para não ter que explicar e ceder,
frases construídas de clichês,
presentes para ficar em dia com o dia-a-dia,
adorar o que deplora,
querer ficar em paz no absoluto silêncio,
mas ter que falar, sorrir e até insistir,
se mostrar sempre em dia, na crista, na torre,
na onda do tudo saber e conhecer,
ouvir declarações, declarações....
e retribuir nos mesmos diapasões...

Mas que coisa mais chata,
Cansativa, repetitiva,
De cobranças e obrigações...
Se eu pudesse me livrar dessas assombrações!!!

by Didi Leite

Ilustração Imagem google






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