ARTE DAS LETRAS

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

POEMAS - PEDACINHOS QUASE VIVIDOS



PEDACINHOS QUASE VIVIDOS

Olhe aí para trás.
Corra os olhos nos anos já passados.
Parece que pedaços vividos
se perderam, não ficaram na memória.
Coisas pequenas,
o dia a dia se misturam a momentos
e fatos marcantes.
E no entanto tudo faz parte de tudo.

Quando se vive um período de tempo,
absorto ou cativo de lances emocionais,
não damos conta do que realmente vivemos.
Só quando tudo é passado há muitos anos,
é que tentamos recompor o já vivido.

Aí, olhamos como transitamos,
sem nos dar conta daqueles pedacinhos,
no  que vivíamos.
Impossível saber o que dissemos,
fizemos ou pensamos.
Impossível sentir o que sofremos,
o que nos alegrou.
As expectativas, os planos e as esperanças
ficaram lá no passado,
junto com as frustrações, os limites e os sofreres.

De longe a gente se pergunta:
Que será  que eu fazia?
Por que e por quem  eu sofria?
De quem era a minha alegria?
E sempre isso se repete,
para cada fase da vida que nos dispomos a lembrar,
vemos perguntas que ficam sem resposta,
e ficamos suspensos no ar.

 Com isso concluo que não vemos
o momento que vivemos.
É como se estivéssemos numa roda gigante
que gira gira gira, e não déssemos conta
do que rodava junto com a gente.

Sabe Deus se prestamos atenção
no que agora está nos acontecendo.
A gente tecendo,
o vento soprando, desfazendo
e o tempo deixando imensos hiatos.
Buracos na vivência
que não sabemos recompor.

Tudo é assim mesmo.
De tudo muito pouco
guardamos na memória,
independente da importância
e do seu  significado.
Vida é coisa complicada!
É passagem inexplicável
A qual nem na memória sabemos
voltar e reviver em detalhes.

Vida! Misterioso mosaico
que um dia nos deram para compor.
Cada qual o seu, sem saber
bem  o porquê.

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google






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