ARTE DAS LETRAS

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 8o.Capítulo


A ILHA DE PEDRA BRANCA    -   Romance

                                       8o.Capítulo

                                   ...  continuação

- Ah, seu Getúlio, a doutora Elizabete vai lhe explicar o que quer aqui. Disse  Celso.
- Seu Getúlio, meu caso é simples. Eu não vim pedir nada, eu vim avisar.
Trabalho para o governo, Ministério  do Meio Ambiente, e tenho que fazer um estudo do tipo de mata que há na ilha. Quem me mandou aqui foi o governo. Tenho que fazer este estudo.  Vou precisar apenas de uma colaboração no sentido de que alguém me leve até o início da mata e me indique algum caminho, alguma trilha. O resto me viro sozinha. Estou acostumada a me embrenhar em matas, em selvas mesmo. Não vou tirar nada daqui.  Faço meus estudos e vou embora. Isso não é para mim, isso é para o governo que quer esse estudo. É uma história de preservação, que depois explico melhor. Disse tudo isso olhado para Cauê.

Todos beberam água e Ricardo olhava tudo em volta dizendo: - Maravilha! Lugar perfeito! É isso que procurávamos. Vai ser aqui, que a novela vai ser rodada!
 Depois, entraram nos botes e rumaram para o barco, que na realidade era um iate, e foram embora.

Depois que o pessoal da TV se foi, os pescadores ficaram reunidos falando sobre o assunto. Getúlio falou do seu medo que isso fosse danoso para os moradores da ilha.

- Tenho que pensar nas crianças e nos jovens. Esse pessoal pode vir pra cá com ideias. Não sei, isso tudo me deixa preocupado. Disse Getúlio.
- Mas é só não aceitar, Getúlio. Nós não somos obrigados a deixar que entrem aqui pra filmar suas novelas. Disse Cauê, a que contrapôs Zé da Conceição:
- Mas se eles quiserem mesmo, eles vêm,  ficam e filmam, e, a gente não vai poder impedir. A ilha não é propriedade nossa, a ilha é do governo, nós não temos papel de propriedade desta ilha.
- Mas e o tempo que a gente tá aqui não conta? Todos nós nascemos aqui, vivemos aqui, cuidamos da ilha. Isso é nosso, sim! Disse o jovem Donato.  Cristovão, que estava à parte, entrou na conversa:
- Com essa gente, tem que se ter muito cuidado e tato. Eles são todos sorrisos no início, mas depois... Conheço esse tipo de conversa que faz mil promessas e depois arrancam até a alma da gente.
- Vocês me desculpem, mas vou entrar nessa discussão pra dizer que não há nada a temer. Deixem que eles filmem suas histórias aqui, a gente tem é que impor nossas condições. Não adianta abrir guerra, afinal do que é que a gente tem medo? Eles não podem usar ninguém da ilha nos seus filmes, não devem pernoitar aqui, como também devem trazer ou fazer sua comida.
Cobra-se um bom dinheiro pelo espaço que eles querem usar e pronto. Depois que eles acabarem a tal novela, vão embora e fica tudo em paz por aqui.  Disse Sebastião,  segurando nas mãos sua faquinha e um entalhe já começado.

 Getúlio disse a todos:
- Vou falar com vó Miranda. É sempre bom ouvir o que ela acha de tudo isso. Vocês sabem da história da tal de Janaína, não sei se é verdade ou não, mas o certo é que foi embora com um estranho e nunca mais voltou. Fico preocupado com nossos jovens, nossas filhas e filhos novinhos.

Vó Miranda e dona Celeste, mãe de Margarida, escutaram toda a história que Getúlio contou e também da sua dúvida em consentir que os homens da TV fizessem as filmagens da novela ali. O velho pescador falou das mocinhas e dos rapazes que começavam a florescer para a vida e podiam ficar com as ideias perturbadas pela presença daquela gente. Getúlio tinha medo que eles fossem embora da ilha atrás de sonhos que não existiam. Vó Miranda suspirou fundo e falou para seu velho amigo:
- Getúlio, se você está com dúvidas é porque quer deixar que eles venham.            
-  Não, vó Miranda!
- Se você não quisesse, você já negava na hora e ponto final. Eu penso que você pode deixar, mas ponha seus pontos de limite. Pronto! Ora, Getúlio que mal eles podem fazer? A gente põe tento nas crianças e não deixa eles entrarem nas casas, se espalharem no que é nosso. Ao redor podem filmar o que quiserem. Agora, Getúlio, se eles falaram em pagar veja isso direitinho.
Tenha medo, não! Eles não vão dormir aqui, né?
- Não. Eles disseram que vão fazer tudo de dia.
- Então sossegue seu coração! Deixa eles virem. Fala com os outros pescadores, conversa com Cauê e Zé da Conceição.

- Tá bom, vó. Obrigado pelos clareamentos das minhas ideias.

                                                          continua....

by Didi Leite

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