ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 27 de outubro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 5o.Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -   Romance

                                            5o. Capítulo
                      
                                            ... continuação

Foi um sacerdote, padre Ildefonso, pároco da igrejinha de N.Senhora de Conceição da cidade, que lá chegou e conseguiu conversar e criar uma boa camaradagem com eles.  O Prefeito, Salviano mandou que se instalassem uma televisão e uma antena para uso  comunitário. Também fez a entrega de uma grande caixa de primeiros socorros, e introduziu a vacinação das crianças. Mandou que  três vezes por semana uma professora fosse à ilha alfabetizar as crianças, ensinando a ler, contar, e fazer as quatro operações.
A princípio ninguém saía da ilha. Mas um dia, contam que uma moça,  Janaína, quis ir embora da ilha para viver em outro lugar. Esse desejo deveu-se a um caminhoneiro que Janaína conheceu na cidade. Esse homem encheu a cabeça da moça e encantou-lhe o coração. A mãe da moça não aceitava a partida da filha.  Dona Ana ficou triste, pois era viúva e vivia para a filha. Um dia Janaína foi ao continente e nunca mais voltou. Ganhou o mundo junto com o caminhoneiro. Dizem que a mãe ficou de idéias moles, meio que doida e foi cuidada pelos moradores da ilha. Às vezes, vinham notícias que Janaína fora vista bem vestida e rica morando em outra cidade, outras vezes as notícias eram justamente ao contrário, que a moça caíra na vida e vagava por cabarés e bordéis à noite. Ninguém sabia ao certo de nada. Dela nunca mais se soube. Por isso, as mães das mocinhas não gostavam que elas fossem ao continente. Quando iam junto para a venda do pescado, não podiam ficar de conversa com estranhos. Os pecadores ficavam de vigia e terminada a venda logo voltavam aos barcos com as jovens. Assim fazia Cauê com Jani. Mas houve quem se foi e, voltou como filho pródigo. Foi Cristovão. Este quando rapaz juntou suas economias de muitas pescas e foi embora da ilha. Deixou a mãe dona Estrela só com o pai, Cícero. O casal ficou amargurado sem saber do filho, o pai adoeceu e tempos depois morreu. Dona Estrela foi amparada pelas outras famílias, já que não havia mais quem pescasse na casa. Ela fazia artesanato e vivia que era uma tristeza só. Muitos anos se passaram, e, um dia, Cristovão voltou. Veio arruinado, doente, envergonhado pelo seu fracasso. Ficou com a mãe. Todos o aceitaram sem restrições e recriminações. Mas  ele nunca entrou no mar, dizia que a rainha do mar não o perdoou. O rapaz dedicou-se a fazer artesanato e a costurar as redes rasgadas dos pescadores. Cristovão sempre fala com Sebastião, com quem  conversa  e se dá bem. Cristovão dá conselhos a Sebastião:
- Sebastião, não se vá, porque o mundo lá fora é traiçoeiro, e um dia você volta para cá como eu, um traste!
Ele sempre diz sua máxima com olhos de visionário:
- Sebastião,  irmãozinho, um dia todos vão embora daqui. Esta ilha ainda vai ficar vazia e deserta!

Donato foi conversar com Cauê sobre Jani. Quis falar ao amigo sobre seus sentimentos em ralação a irmã do amigo. Os dois estavam esticando as redes para ver se havia buracos e  estavam rasgadas. Donato aproveitou a proximidade do amigo e falou-lhe:

- Cauê, quero falar uma coisa com você, mas não quero que você tome como abuso.
- Pois fale, Donato!
- É sobre Jani.
- Já sei. Já sei que você caiu na rede dela. Você tá gostando de Jani.
- Tô. Mas ela não sabe. Nunca falei nada dessas coisas pra ela. Queria saber se é do seu gosto, se você põe obstáculo.
- Olha, Donato, eu até faço gosto. Você é um homem honesto e trabalhador, agora não sei se Jani gosta de você. Se gostar tá tudo certo, mas se não gostar não posso obrigar.
- Obrigado, Cauê! Mas não sei como falar com ela.
- Ora, homem, tá com medo? Chegue perto e fale, abra seu coração. Agora, nada de se humilhar. Tem que ser uma conversa reta e séria. Quer? Quer! Não quer?  Não quer!  Jani é moça boa, mas é chegada a um abuso. Tem que trazer na rédea curta. 

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google



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