ARTE DAS LETRAS

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 4o.Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA  -  Romance

                                  4o.capítulo

                                   ... continuação



Donato veio para perto das moças falando:
- As três vão ficar aí de comadres? Não vão entrar na ciranda?
- Não amola, Donato!  Disse Jani
- E você, Açucena, já tomou refresco? Ariel, não quer dançar?
- Quero não, Donato. Tô só olhando.
- Vocês parecem peixes presos na rede. Tão tudo de cara triste.

- Gente, vamos comer pamonha? Disse Jani, querendo sair dali para se livrar de Donato.  As moças saíram, deixando o rapaz sozinho.

- Êta Donato! Tá de olho esticado pra elas?  Açucena tá linda com aquela flor nos cabelos!  Jani já é como uma flor! Ariel é bonita mesmo! Cuidado com Cauê!...  Disse Januário que chegou para perto do rapaz.

- Deixa de ser besta, Januário!  E você? Por que tá sempre xeretando a gente?

-  Não precisa ficar aborrecido, irmãozinho. Só falei porque já notei que você olha pra Jani diferente. Tá gostando dela?

- Não tô gostando de ninguém. Gosto de Jani, como gosto de Açucena, de Araí, de Margarida e  de Ariel. Você tá querendo inventar coisa. Vamos lá pra ciranda.  Donato levantou-se e foi caminhando para a roda. Januário ficou rindo de Donato e pensou: - Isso é bicho apaixonado!

Já era tarde, quando Vó Miranda encerrou sua cantoria, dizendo que faltava pouco para os pescadores irem colocar as redes no mar. Já era hora de todo mundo ir para  suas casas. Cauê tomou a bênção da Vó e foi falar com Getúlio e Zé da Conceição:
- Quando vocês saírem me chamem, minhas redes já tão prontas. Vou  em casa trocar essa roupa. Hoje vou levar minha tarrafa.

Jani foi andando com Açucena e Ariel, encontraram com Margarida. As quatro  foram  passo a passo para casa. Donato as olhava, Januário tomava conta de tudo, mas Cauê, de longe, seguia as moças, apertou o passo e chegou junto, falando:

- Açucena, não vi você dançar hoje. Não gostou da ciranda?

- Gostei, Cauê. Mas não tava com vontade de entrar na roda. Isso aqui, às vezes, me deixa triste, sei lá...

- Mas triste  por  que? Tá uma noite bonita, tá calor, céu cheio de estrelas.

- Ah, Cauê, só você que não se cansa disso tudo. Seu coração nunca  lhe faz perguntas? 
- Larga de bobeira, Açucena!  Dito isso o jovem pescador entrou em casa.
As mocinhas se dispersaram e cada uma foi para sua casa.


Na ilha de Pedra Branca era assim, todos os dias eram iguais. Nada acontecia de novo ou diferente. A ilha tinha esse nome pela quantidade de pedras brancas que havia em toda a área.   Nas proximidades, no fundo do mar, havia muitas e era preciso conhecer o lugar para não deixar o barco bater. Logo à entrada da enseada, à esquerda, duas pedras enormes apontavam, com  menores ao redor. As pedras eram brancas, e todas as demais da ilha também eram brancas.  Os habitantes daquele lugar eram chamados, no continente, de caiçaras, pois nasceram e viviam à beira do mar. Viviam da pesca e no defeso faziam artesanatos para sua subsistência.

 Não se sabe a partir de quando a ilha foi habitada por duas famílias que ali se estabeleceram, não indo  nunca ao continente. Depois de algum tempo mais duas famílias chegaram e ,por lá também ficaram.

                       continua.....

by Didi Leite

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