ARTE DAS LETRAS

domingo, 25 de outubro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 3o. Capítulo



   A ILHA DA PEDRA BRANCA    -    Romance

                                3o.Capítulo

                                ... continuação

do outro lado da praça  na porta da Prefeitura, uma camionete escrita na carroceria: TV NORTE SUL BRASIL. Ela reconheceu aquele nome e logo se pôs de pé, atravessou a praça e foi se colar bem perto do carro da TV.  Não havia ninguém, o carro estava fechado. Deu a volta, olhou e nada. Resolveu ficar ali perto para ver se aparecia alguém da TV. Esperou e cansou de esperar. Pensou a garota que o pessoal devia estar lá dentro da prefeitura. Mas fazendo o quê? Chegou até a entrada da porta, olhou e não viu ninguém. Curiosa, resolveu perguntar ao guarda de segurança da entrada:

- O pessoal da TV tá aí dentro com o Prefeito?
- Não sei se tão com o Prefeito, tem uns homens aí dentro.
- Será que são artistas?
- Artistas? Que nada! Não conheço esses aí, entraram e tão lá.

Nesse momento, Jani sentiu seu braço ser puxado, era Cauê.
- Jani, vamos embora! Já acabamos de vender os peixes, pro barco, anda garota! Eu disse pra você não sumir!
- Ih! Cauê, eu não sumi, tava aqui bem pertinho. Vim ver o carro da TV.

A lua parecia um luzeiro prateado no céu.  Cauê, sentado sobre uma pedra, tirava melodias da sua viola. No meio do terreiro a fogueira já crepitava, em volta os pescadores bebiam e conversavam, as mulheres traziam mandioca cozida, pamonha de milho, beiju e cuscuz. Leiteiras de refresco de aluá se espalhavam entre as mulheres que distribuíam às crianças.  Vó Miranda chegou e sentou-se no seu banquinho. Ela era a mestra cirandeira, coisa que herdou do marido que foi o verdadeiro cirandeiro. Vó sabia improvisar versos e tirava muito bem as cantigas.  Mas sempre cantava, também, as cirandas já conhecidas.  Logo vieram as cantadoras se acercaram da idosa. Vó começou a cantar baixo, chamando o povo:
                    Quem me ensinou a nadar
                    Quem me ensinou a nadar
                     Foi, foi, marinheiro,
                     Foi os peixinhos do mar...
A roda se formou, e todos, na cadência das palmas  das mãos, começaram a dançar e  a cantar. Jani estava olhando a cantilena com seu copo de refresco na mão, quando Açucena chegou perto da amiga e perguntou-lhe:

- Jani, você não vai dançar a ciranda? Tá aí quieta, com cara triste, o que foi?
- Nada, Açucena. Tô só olhando. Não tô com vontade de dançar.

Açucena era uma moça bonita e sonhadora.  Era filha de Justo e Ceição, sobrinha do velho Getúlio. Naquela noite estava com um vestido de chita estampadinho, comprido até os tornozelos. Usava uma flor de Hibisco vermelho nos cabelos. Sentou-se ao lado de Jani e ficou conversando. Logo veio chegando Ariel que se juntou a elas.

- Sabe Jani, fico pensando que às vezes isso aqui é triste. A ilha é bonita, o mar é bonito, mas tudo isso é silencioso, nossos dias são sempre os mesmos. Disse Ariel.
- A gente não sai daqui, Ariel. A gente não faz nada que alegre o coração. Vó Miranda diz que nasceu aqui, e olha que ela já tá ficando velhinha...

- Nós nunca vamos sair daqui. Os olhos ficam cansados da mesma coisa. Falou Açucena.

- Hoje, eu vi o carro da TV lá na cidade. Tava na porta da Prefeitura.

- Tinha artista? Viu algum por lá? Indagou Ariel.
- Não tinha, não. O moço lá da porta da Prefeitura disse que entraram uns homens, mas nenhum era artista. Tava espreitando quando Cauê me chamou pra a gente voltar. O pescado já tava vendido.

- É por isso que não gosto de ir lá ao continente, Jani. A gente chega e logo tem que voltar! Disse Açucena.
Donato veio para perto das moças falando:

                                                  continua...

by Didi Leite

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