ARTE DAS LETRAS

sábado, 24 de outubro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 2o.Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -    Romance

                             2o.Capítulo

                                                  ..... continuação


- O que   Cauê trouxe, aí hoje? Perguntou Januário se chegando para perto do barco do rapaz.
- Peixe, peixe!  Ora que pergunta, Januário! Respondeu Donato.
- É, trouxe camarão dos bons, esse cara tem sorte.
- Deixa de olho comprido, vá cuidar da sua vida, do seu barco.
-Também peguei bom peixe. Minha rede coalhou de Corvina, Pampo e Robalo Flexa. Veio até  Cavala!

- O gelo já chegou, vocês vão ao continente agora? Perguntou Jani, que chegou sem que os rapazes notassem.
- Daqui a pouco. Por que? Você quer ir junto? Respondeu Januário.
- Não sei, se Cauê não implicar...

Agora, a praia estava cheia de crianças correndo entre os pescadores, as mulheres vieram pegar os pescados para a comida de casa. Todos conversavam e se amontoavam em volta dos barcos. O cão Fininho latia alegre com a visão do seu dono, Cauê.

- Olha o gelo! Vamos minha gente, vamos botar  o pescado  nas caixas e rumar lá pra cidade, disse Getúlio.

- Cauê, posso ir com vocês? Perguntou Jani ao irmão.
- Fazer o que, lá?  Você não vai, não! Tá desobediente e a mãe não tá gostando do seu proceder.

- Ora, Cauê, deixa a moça dar uma volta lá na cidade! Disse Getúlio.
- Tá vendo como ele é comigo? Nunca me leva ao continente, nunca deixa eu fazer nada. Na cabeça do Cauê, eu tenho que ficar enterrada aqui em Pedra Branca, que nem morta. Disse Jani toda chorosa, esticando beiço de mágoa com o irmão.

- Tá bom! Mas olha, Jani, você vai, e vai ficar perto da gente, nada de se espalhar e sumir. Depois, a gente quer voltar, e tem que ficar catando você por lá.
- Vou ficar na pracinha, ali bem perto do ancoradouro.

Jani era uma mocinha de dezessete anos, muito bonita, morena, cabelos castanhos escuros, compridos pelo meio das costas. Magra, pernas longas e bem torneadas, seios bem feitos, olhos amendoados e sorriso branco e perfeito. Era uma caiçara de chamar a atenção. O irmão notava tudo isso e zelava por ela, já que a moça era pura ingenuidade.

Chegaram ao continente e os pescadores botaram suas caixas com os pescados a amostra, começava a venda e o jogo de quem pagava melhor. Jani ficou perambulando pela pracinha, sentou-se num banco, apoiou os cotovelos nas pernas, botou o rosto entre as mãos e curvada para frente sobre o corpo olhava aquele mercado a céu aberto. De repente, a moça viu do outro lado da praça  na porta da Prefeitura, uma camionete escrita na carroceria: TV NORTE SUL BRASIL. 

                                                       continua.....

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

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