ARTE DAS LETRAS

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - A ILHA DA PEDRA BRANCA - 1o. Capítulo


A ILHA DA PEDRA BRANCA   -   Romance

                              1o.Capítulo

O sol ainda não havia nascido lá na barra do horizonte, apenas um clarão anunciava que o dia seria bonito, com belo sol, majestoso e fulgurante.  Na ilha da Pedra Branca o mar sereno vinha em pequenas marolas espraiar-se na areia. Os barcos dos pescadores, um a um, vinham voltando de mais uma noite no mar. Foi uma noite boa, redes cheias de peixes, camarões e siris. O velho pescador, Getúlio,  se vangloriava de ter pego bons peixes. Em seu barco, o Lindaflô, havia Tainha, Xaréu e Robalo. Aquilo ia dar um bom dinheirinho, lá no continente. Zé da Conceição falou para Getúlio, enquanto o filho deste, Donato,  puxava seu barco para a enseada:

- É, Getúlio, você teve sorte, pegou Robalo dos grandes, eu cá, peguei muita Tainha. De bom mesmo peguei Anchova das grandes. O cardume estava bem na minha frente. Muita Sardinha, isso tem sempre. Disse Zé.

- Eu fui mais para dentro, quando botei minha rede já pensava em peixe dos bons. Mas também peguei uns Badejos pequenos. Temos que aproveitar a sorte.  Vamos  ao continente levar isso, não se pode ir muito tarde, senão a gente não vende. Donato, vai ver se o gelo já chegou, tem que botar isso no gelo. Falou Getúlio, o pai.

Outros barcos vinham encostando, e todos estavam satisfeitos com o resultado da noite. No meio deles vinha o barco de Cauê.  Rapaz forte, bonito,  pele queimada pelo sol e curtida pelo sal. Cabelos castanhos lisos, com fios dourados queimados pelo sol,  que quase lhe batiam  nos ombros Era jovem, e ficou à frente do barco do pai, desde que este ficou doente. Era Cauê, agora, responsável pelo sustento da família, mãe, dois irmãos e a irmã Jani.  Cauê era alegre quando estava junto dos pescadores, mas sério e fechado quando ia ao continente vender seus peixes. Ele gostava de pontilhar uma viola à noite. O rapaz trouxe muito Dourado, Anchova e uma boa quantidade de camarão dos bons, cinzas e grandes. Donato, seu amigo, foi ajudá-lo a prender o barco.

- Êta! Tá bonito seu pescado, irmãozinho. Isso vai dar bom lucro.
- Donato, temos que aproveitar antes que chegue a época do defeso. Depois, fica difícil. Aí, só mesmo o artesanato para garantir algum dinheiro. É por isso que não me aventuro na pesca da lagosta.
- Hoje, à noite, vai ter ciranda, vó  Miranda vai puxar a ciranda, você vai, Cauê?

- Vou. Gosto das noites de lua cheia quando vó Miranda bota a ciranda no terreiro. Tem que catar a lenha pra  fogueira, mas dá tempo. Gosto de acender o fogo. E enquanto Vó Miranda não começa a cantoria, tiro umas cantigas na viola.

- Jani dança bonito com sua saia rodada! Disse Donato com ar sonhador.


- Ela devia é tá de castigo, Jani tá ficando muito desobediente.   Donato, vamos embora pegar o gelo pra levar isso lá na cidade. Vou até em casa ver como tão as coisas lá, vou tomar um café e volto já.

                                                         continua...

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

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