ARTE DAS LETRAS

domingo, 6 de setembro de 2015

POESIA ALHEIA - MARCHA - CECÍLIA MEIRELES


MARCHA (Fragmento da Poesia)  de CECÍLIA MEIRELES

Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.

Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentamento.

Cecília Meireles

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