ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 8 de setembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - BERÊ NÃO VEM MAIS? 11a.Parte


CONTO

                                         BERÊ NÃO VEM MAIS?

                                                        11a.Parte

                                                      .... continuação

- Claro, não  é, João Carlos!?  Paguei o mês e dei mais algum dinheiro pelo tempo e o bom serviço dela nesses anos.
- E as crianças? Isso vai ser um problema, principalmente, para Maria Luíza. Mas ela saiu sem se despedir, sem dizer nada... Que coisa estranha!
- Depois a gente fala com as crianças. Agora, vai começar meu trabalho de arrumar outra para tomar conta deles.  Eu tenho meu serviço, não posso me ocupar deles o tempo todo. Por enquanto vou pedir a Célia que dê uma olhadinha neles, quando eu estiver ocupada.

O marido ficou pensativo e foi para junto dos filhos na sala onde brincavam. Ele ficou olhando Maria Luíza, que brincava, despreocupada, com duas bonequinhas ralhando com elas, dizendo que tinham que tomar o leite. É a figura da inocência, pensou o pai.

Em casa, Berenice contou toda a história e disse para a madrinha que ia voltar para Minas. Queria ir embora o mais rápido possível. Com lágrimas nos olhos,  a moça disse:

- Sabe, madrinha, eu para falar a verdade, não gostei daqui, desta cidade. Acho que nunca vou gostar de cidade grande. Tenho muitas saudades da minha cidadezinha, Santana da Serra. Lá eu me sinto à vontade, trabalho com prazer e sem medo. As manhãs são mais claras e tem até perfume no ar. O céu, à noite, é coalhado de estrelas e quando tem lua, ela é maior e brilha mais. Até dos barulhos dos bichinhos, como o sapo e os grilos, sinto saudades. Não, madrinha, eu não nasci para viver em cidade grande. Aqui tem muito barulho, muita gente na rua, na condução. As pessoas se empurram, quase jogam a gente no chão. Aqui, só tem uma coisa linda e que não dá para esquecer: o mar.  O mar é quase do tamanho do mundo de tão grande que é. A cor também é muito linda. A onda quando chega na areia faz uma espuma branquinha!  Madrinha, a senhora pode ir comigo para eu comprar minha passagem de volta?
- Vou, mas só na segunda-feira.

Nelson, que escutou a conversa da mãe com a afilhada, sentiu pena da moça, que realmente parecia um peixinho fora da água, e se ofereceu para levá-la até a rodoviária. Era sábado, a condução era boa, num instantinho iam e vinham.  Berenice ficou muito agradecida ao rapaz, aceitando a companhia. Antes, porém, deu a metade do dinheiro que recebeu de Jaqueline à madrinha. Esta pegou o dinheiro calada e guardou.

Eles compraram a passagem para embarque na segunda-feira às 6 horas da manhã. Jandira achou cedo demais, mas a moça queria porque queria ir embora logo. 
                                            continua....

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

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