ARTE DAS LETRAS

sábado, 5 de setembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - BERÊ NÃO VEM MAIS? - 8a.Parte

CONTO

                                    BERÊ NÃO VEM MAIS?

                                                    8a. Parte

                                                   .... continuação

- Pelo que estou vendo, ninguém aqui  tomou banho, não é?

Berê parou de ler e respondeu que já ia levar os dois para o banho. Só estava lendo uma historinha, pois Maria Luíza não conhecia aquele livrinho.
- Berê, os horários das crianças têm que ser respeitados. Historinha é para outra hora. Por favor, todo mundo para o banho, já!
Acabou a graça. As crianças levantaram, mas Maria Luíza que era espevitada disse para a mãe:
- Você é chata! Quero saber do coelhinho, quero saber do coelhinho. Berê, acaba de ler a historinha...
A mãe pegou a menina pelo braço e ralhou feio com ela:
- Que história é esta de dizer que eu sou chata?!  Olhe como fala!  Onde você aprende estas coisas, hem?  Berê, onde esta menina ouviu isso?!
- Não sei, dona Jaqueline. Acho que ela ouviu das outras crianças no play...
- Pois acabou historinha e coelhinho, agora, é hora de tomar banho!  Berê, ande com isso, leve estas crianças para o banho!
Dito isto, a mãe saiu dali resmungando:
- Que idéia desta menina, dizer que sou chata!

Certo dia, Berenice recebeu carta do pai dizendo que a mãe estava adoentada. A moça ficou preocupada, queria ir em casa ver a mãe, o pai e os irmãos. A madrinha incentivou a moça a ir visitá-los, pois, já fazia sete anos que ela viera para o Rio e nunca mais voltou em casa. Berenice disse para a madrinha:
- Queria ir, mas e o trabalho? Será que dona Jaqueline deixará eu sair uns dias?
- Mas é claro que deixará! Tem que deixar! Você pede uns dias de folga e diz que precisa ver sua mãe que está doente. Pronto! Não tem mais conversa.
- Mas e as crianças? Mateus e Maria Luiza vão ficar com quem? O Bruno já está grandinho, mas os outros dois...
- Isso não interessa a você. A mãe que se vire. É até bom que isso aconteça, assim ela valoriza seu trabalho e aprende a tratar você com mais educação. Mulher mal agradecida, coração duro! Quando as crianças eram ainda bebês, ela tratava você bem melhor  do que hoje em dia. E você, é bom se prevenir, qualquer dia dá uma louca na cabeça dela, e ela manda você embora sem dó nem piedade. A mulher vive coalhada de ciúmes daqueles filhos!  Você vai sim, ver sua mãe.


Na segunda-feira, Berenice falou com a patroa que precisava de uns dias de folga para visitar a mãe lá no interior. Jaqueline não criou problemas, ela estava entrando de férias e a moça podia sair para viajar. As crianças ficaram assustadas quando a babá contou para elas que ia sair para ir em casa. Bruno encheu a moça de perguntas. Mateus queria saber quando ela voltaria, se demorava muito ir lá na  casa dela. Maria Luiza disse que ia com ela. Que ia viajar com Berê, que ela ia junto com Berê.
O pai disse que ela ia visitar a mãe que estava dodói. Depois ela volta. E você, minha bonequinha, vai ficar aqui esperando por ela. Ela tem que ir sozinha para poder ir depressa.
A mãe, Jaqueline, que ouviu tudo, entrou na conversa como onda do mar que destrói castelo na areia:
- Mas que comovente! Para que tanto drama? Crianças, a Berenice vai sair de férias porque precisa ir na casa dela, que é lá longe. E não tem nem mais nem menos. Por favor, sem drama, sem choro e sem perguntas. Ela vai e pronto! Estamos entendidos?
- Jaqueline, precisa falar assim com as crianças? Não vê que eles são pequenos e estão acostumados com a babá todo o tempo? Disse João Carlos, o pai.

Na sexta-feira daquela semana, Berê se despediu de todos e em especial das crianças. A moça saiu e foi caminhando para o ponto do ônibus, parte desse trajeto era visto da varanda do apartamento, onde as três crianças estavam de prontidão para dar um adeusinho a ela. Berenice olhava para trás e respondia com um aceno de mão também. Aliás, isso se repetia toda semana. Fora Mateus quem descobrira essa visão da rua por onde Berenice andava quando ia embora nos fins de semana. Maria Luiza ficou toda vida chamando pelo nome da moça, e acenando adeus com a mãozinha.        

Duas semanas custavam uma eternidade para passar, pensava a mãe. Ela já não aguentava mais aquelas crianças de manhã. Os três faziam da casa um inferno. Eles estavam irritadiços, briguentos e malcriados. Maria Luiza fazia manha para tomar o leite. Um dia, a menina depois de muita birra, derramou o leite no chão. A mãe ficou furiosa e sapecou-lhe uma palmada, Esta chorando disse que Berê não batia nela.

                                     continua....

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

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