ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 1 de setembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - BERÊ NÃO VEM MAIS? - 4a.parte


CONTO

                             BERÊ NÃO VEM MAIS?

                                                   4a. parte

                                                 ... continuação


- Lá vem o chorão. Tudo chora, só sabe chorar.

O menino era bonitinho, clarinho, cabelos castanhos claros anelados, olhos castanhos, meio gorduchinho. Berê brincou com ele segurando sua mãozinha, e o menino abriu um sorriso. A mãe disse:
- Viu? Gostou de você.  É bom que goste mesmo,  Bruninho, pois ela vai ficar tomando conta de você enquanto a mamãe e o papai trabalham.

As duas mulheres se despediram de Jaqueline e saíram. Jandira botou Berenice no ônibus, ensinando onde saltar para pegar o outro ônibus que a levaria para Paciência, e, tomou o rumo da casa onde ia trabalhar naquele dia. 

Berenice era o tipo de pessoa doce para lidar com crianças. Bruninho, logo, se acostumou com a moça e brincava, tomava banho, fazia as refeições muito bem, sem choro e sem manha. A moça, logo, aprendeu a ver temperatura no termômetro, a fazer as vitaminas, as papinhas, mingaus e preparar mamadeira. O menino não abria mão de tomar uma mamadeira à noite e outra pela manhã ao acordar.  Jaqueline estava satisfeita, pois via que a moça era responsável.

Quando o menino ia completar dois anos, Jaqueline engravidou novamente. No próximo ano, quando fizesse três anos, a mãe iria colocar o menino na escolinha maternal. Queria que o menino se socializasse, e já fosse se acostumando com a escola. Nasceu o irmãozinho de Bruno, o menininho recebeu o nome de Mateus.

Berenice trabalhava bastante tomando conta das duas crianças. Terminada a licença maternidade de Jaqueline, ela voltou ao trabalho, e Berê ficava na parte da manhã com os dois meninos. À tarde Bruninho ia para a escola, e ela cuidava de Mateus. Este se afeiçoou de tal forma a Berê, que só aceitava as coisas da mão da moça. Esse apego incomodou à mãe.

Nos finais de semana, era uma choradeira na casa, mas, Jaqueline suportava firme, rezando para chegar logo, segunda-feira e Berê voltar e ficar com os meninos.  Em casa, a moça ajudava a madrinha, cuidava do seu jardim e da sua horta, que agora estavam lindos. Ganhou do porteiro do prédio uma muda de croton, folhagem muito bonita, toda pintadinha de várias cores. Plantou no seu jardim e estava muito viçosa. A moça, agora, tinha  uma cômoda, usada, que sua madrinha ganhou de uma patroa. Ali, ela arrumou suas roupas e pertences. Mandou carta para casa, dando notícias suas, mas ainda não recebera nenhuma resposta. Do dinheiro que ganhava, dava metade à madrinha e guardava o resto. Assim, a moça ia vivendo, mas os estudos,  Berê nunca iniciou. Não havia tempo para mais nada.

  Berenice já estava há quatro anos trabalhando com Jaqueline. Ela gostava das crianças e estas eram agarradíssimas a ela. A empregada da casa, Célia, gostava de Berenice, as duas se davam bem.  Um dia ficou sabendo que a patroa estava grávida novamente.  Faltava pouco para Mateus ir para a escola maternal. Bruno já estava no Jardim da Infância. Jaqueline estava mais irritada, parece que não queria ter engravidado, mas levou o barco adiante. No meio do ano, Jaqueline deu à luz a uma linda menina. Esta recebeu o nome de Maria Luiza. A garotinha era a joia rara do pai, ele a chamava de ¨minha bonequinha¨. 
                                                         continua....

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google

Nenhum comentário:

Postar um comentário