ARTE DAS LETRAS

domingo, 6 de setembro de 2015

CONTOS QUE TE CONTO -BERÊ NÃO BEM MAIS? - 9a.Parte


CONTO

                                   BERÊ NÃO VEM MAIS?

                                            9a.Parte

                                           .... continuação

 Esta chorando disse que Berê não batia nela. A mãe estava impaciente, foi quando, resolveu despachar Bruno e Mateus para aulas de natação e depois para aulas de inglês. A mãe levava os meninos e ficava, lá, sentada lendo. Só tinha que aturar Maria Luíza. À tarde tudo era paz, os três iam para a escola. Era aí, que Jaqueline podia descansar, sair, dá uma volta pelo shopping e ir ao salão de beleza.

Enfim, Berenice voltou. As crianças criaram alma nova. Maria Luíza fez queixa da mãe para a babá. Jaqueline, ainda ficou mais uns dias em casa de férias. Uma semana depois voltou ao trabalho. A vidinha deles estava, novamente, organizada.

Mas, o pior ainda estava por vir. Na firma onde Jaqueline trabalhava começou um corte de funcionários, as finanças andavam ruins, e, Jaqueline entrou nesse corte. Foi demitida. O marido, João Carlos, disse-lhe que era melhor assim, pois ela podia desfrutar mais do crescimento das crianças. Ela não precisava trabalhar, o dinheiro dele  era mais do que suficiente para manter a família. Mas, Jaqueline resolveu trabalhar como tradutora ¨free lancer¨. Ficava  com os filhos e trabalhava ganhando dinheiro para suas vaidades. No próximo ano, ia colocar Maria Líiza na aula de natação  na parte da manhã. À tarde os três ficavam na escola. Foi, aí, que a mãe pensou em unir o útil ao agradável. Ficar livre da presença de Berenice, da presença dela na vida dos filhos, principalmente de Maria Luíza. Eles estavam maiores, já sabiam comer sozinhos e não precisavam de uma babá o tempo todo. Se precisasse, mais tarde, arranjaria uma empregada, apenas para ajudar, levando as crianças nas aulas de manhã e cuidar das roupas deles. Célia podia trabalhar e dar uma olhadinha nas crianças. Tudo era uma questão a combinar com a empregada. Talvez, mais um pouco de dinheiro no salário de Célia, e esta aceitaria de bom grado. Pensou isto, e não falou nada com ninguém, nem com o marido. Faltavam poucos meses para o  ano acabar. Tudo  se arranjaria, assim como estava planejando.

Logo depois das férias escolares, matriculou Maria Luíza nas aulas de natação. A menina ia fazer quatro anos no meio do ano.  Jaqueline trabalhava como tradutora, por vezes em casa, outras na firma para a qual estava prestando serviço no momento.

Foi quando Jaqueline achou que havia chegado o momento de se livrar da babá e livrar sua filha do agarramento que tinha com a mesma. O ciúme da mulher estava no auge. Agora estava mais em casa e via como os filhos eram agarrados à Berê, principalmente Maria Luíza.  Numa tarde em que as crianças estavam na escola, chamou Berê para conversarem.

- Berê, você sabe que acho o seu trabalho muito bom. Gosto muito da maneira como você trata meus filhos, principalmente, Maria Luíza, que ainda é muito pequena. Mas eu perdi meu emprego e as coisas aqui em casa estão meio apertadas em matéria de dinheiro. Eu sinto muito, mas muito mesmo, porém tenho que dispensar os seus serviços. Não posso mais ter uma babá para as crianças. Eles já  estão grandinhos, e, agora, eu em casa posso tomar conta deles. O mês termina esta semana, então, você trabalhará só esta semana. Eu acertarei seu pagamento na sexta feira. Você não precisará voltar mais.

A moça ficou muda. Foi pega de surpresa e ficou muito espantada. Entendeu tudo o que Jaqueline explicou. Sentiu um buraco no estômago, uma abafamento no peito. Lágrimas quiseram saltar dos olhos, mas a moça se conteve, respirou fundo e lembrou do que a madrinha havia dito antes de ela viajar para ver a mãe.  Berenice não era pessoa geniosa, nem de responder ou argumentar nada. Nunca perguntava nada. Assim fez, nada falou. Apenas disse:
- Está bem, dona Jaqueline. Então, trabalho mais dois dias, hoje e amanhã, sexta-feira, não é?
- Sim, é isso mesmo. Você  entendeu meus motivos, não é? Agora, quero lhe pedir uma coisa, não fale nada disso com ninguém, nem com as crianças nem com a Célia. Deixe que, depois de sexta feira, eu explico a eles, senão vai começar uma choradeira, um drama sem fim. Combinado?
- Sim, senhora.
Jaqueline saiu e deixou Berê sozinha.  A moça ficou assustada e profundamente triste por causa das crianças. Sentiu vontade de chorar, mas engoliu em seco. Isso era quinta feira, então, só estaria com as crianças mais um dia, pois sábado de manhã iria embora. 
                                                       
                                                     continua......

by Didi Leite

Ilustração imagem Google

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