ARTE DAS LETRAS

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - BERÊ NÃO VEM MAIS? = 3a. Parte


CONTO 
                                     BERÊ NÃO VEM MAIS?

                                                  3a. Parte

                                                 .... continuação

Assim, Ernestina foi dando algumas mudas tiradas com cuidado, de cada plantinha. Disse à moça que fosse plantando aquelas, e, depois, voltasse que daria outras mais.
Depois de ter acabado sua plantação, Berê ficou olhando tudo satisfeita e pensando: - Amanhã, elas vão começar a ficar bonitas.  Vou fazer um jardim aqui na frente e a hortinha lá nos fundos.
Quando Jandira chegou, Berê tratou de contar sobre seus feitos à madrinha. As duas saíram pelo quintal e Berê mostrou a pequena horta que iniciara, o que a madrinha aprovou dizendo: - Que bom! Dando verdura, isso já será uma economia.
O fim de semana chegou e, junto com ele, chegaram os dois filhos de Jandira, Nelson que trabalhava em Volta Redonda e só vinha finais de semana para casa, e Gracinda que trabalhava numa casa de família e só tinha folga, também, nos finais de semana. Todos se conheceram e se harmonizaram.
Agora, Berê já estava mais ambientada, lavava a roupa da casa, passava e guardava, cozinhava e até fazia doce. Gostava de por água  e  pedacinhos de frutas para os pássaros que voavam por ali.
 Um dia, Jandira chegou com a notícia de que arrumara um trabalho para Berenice.
Era terça feira, as duas acordaram cedo, pois  era o dia de Berenice se apresentar no  trabalho. A madrinha ia levá-la à casa da nova patroa. A moça ia trabalhar na casa de uma família, onde havia um menino que ia fazer um ano, era, justamente, dele que Berê ia cuidar.  A casa já tinha empregada fixa, a patroa trabalhava e precisava de alguém que ficasse cuidando do filho. O menino chamava-se Bruno,  Bruninho, como a mãe o chamava. As duas chegaram à casa de dona Jaqueline, a patroa, e esperaram por esta sentadas na copa. Berenice estava um pouco temerosa. Logo, Jaqueline entrou na copa, cumprimentou as duas e quis saber sobre Berenice. Jandira explicou tudo sobre a afilhada. A patroa quis saber qual a experiência dela com criança, e a madrinha,. mais do que depressa, respondeu que ela tomou conta dos irmãos, dos sobrinhos e de uma criancinha lá onde moravam. Tudo, obviamente, mentira, mas ela queria a vaga para a afilhada. Jaqueline explicou qual era a responsabilidade dela: apenas tomar conta de Bruninho.  Ela dormiria no serviço, com folga todo fim de semana. Pagaria, inicialmente, seiscentos reais. Depois, se ela se saísse bem, pagaria um salário mínimo, mas não pagaria as passagens de ida e volta da moça nos fins de semana. Ela faria todas as refeições na casa, claro, depois de dar de comer ao menino. Ela não podia sair com o menino à rua. Poderia levá-lo para apanhar sol no ¨play¨, só isso. Nada de piscina. Aliás, não queria ninguém perto da piscina, lugar perigoso. Também, não queria conversas e intimidades com outros serviçais do prédio. Jaqueline, a princípio, gostou de Berenice e contratou-a. Disse que viesse no dia seguinte, não precisava trazer muita roupa, pois ela usaria uniforme. Ela mesma sairia com a moça no bairro, Leblon,  para comprar o uniforme. Nesse momento, ouviu-se um choro de criança, era o garoto. O pai entrou na copa com o filho no colo, deu bom dia, e entregou a criança à mãe dizendo:
- Acordou assustado. Deve estar com fome. Segura ele, tenho que ir para o trabalho, já estou atrasado.
A mãe, pegou o filho no colo e fez um breve comentário:
- Lá vem o chorão. Tudo chora, só sabe chorar.

                                                    continua.....

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google




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