ARTE DAS LETRAS

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - BERÊ NÃO VEM MAIS? - 1a.Parte


CONTO
                       
                                                       1a.Parte

BERÊ NÃO VEM MAIS?

 Berenice entrou no ônibus na rodoviária da sua cidadezinha meio temerosa, meio ansiosa e com alguma esperança. Apenas uma bolsa  tiracolo e uma mochila  com suas roupas. Sentou-se na poltrona no canto da janela, ainda olhou tudo à sua volta, viu a farmácia do seu Cristovão, o bazar, a mercearia, algumas pessoas conhecidas, que àquela hora, tão cedo,  passavam na calçada. Ninguém foi levá-la ao terminal rodoviário. Não houve despedidas. O motorista fechou a porta do ônibus  e deu a partida devagar, saindo da rodoviária.       Berenice pensou:
- Adeus, cidade de Santana da Serra!  Será que volto aqui?  Só Deus sabe.
O ônibus ganhou velocidade e logo chegou a rodovia principal.

O relógio na rodoviária Novo Rio marcava vinte e duas  horas e dez minutos. Jandira esperava a chegada do ônibus que vinha do interior de Minas, da cidadezinha de Santana da Serra. A mulher estava um tanto apreensiva, afinal, nele vinha sua afilhada Berenice. Jovem de dezenove anos, que nunca saiu da sua terra. Agora, vinha para o Rio a convite da madrinha. Vinha para trabalhar e, se possível, estudar. Jandira esperou mais uns doze a quinze  minutos,  e, finalmente,  o ônibus  entrou   na  parada    de desembarque. Os passageiros foram descendo, um a um e nada de Berenice. Até que surgiu uma mocinha magra, clara, cabelos pretos atados por uma travessa à nuca, olhos castanhos muito claros, traços bonitos do rosto. Ela, meio desconfiada, olhava espantada procurando a madrinha. As duas se avistaram, e Jandira, aliviada,  correu a abraçar a moça. Depois dos comentários sobre a viagem, mais de doze horas de estrada, foram pegar uma condução para irem para casa, mas, antes, Berenice disse à madrinha que estava louca para fazer um xixi. Esta logo levou-a ao banheiro da rodoviária, pagou um real, e Berenice pode usá-lo.

Pegaram um ônibus e foram para casa na zona oeste do Grande Rio, Paciência. Chegaram tarde em casa. Berenice estava muito cansada. A Madrinha, Jandira, mandou a moça tomar um banho, enquanto isso, veria alguma coisa para comerem. As duas fizeram um lanche de pão com margarina e café com leite. Berenice prontificou-se a lavar a louça, e, depois, foi arrumar sua roupa num lado do armário que Jandira lhe havia reservado. A moça ia dormir num  quartinho ao lado da cozinha. Tudo provisório, dizia a madrinha.

 Já deitada,a moça custou a pegar no sono, estava agitada com toda aquela mudança. Ficou pensando o que seria sua vida dali para frente. Tinha medo do amanhã, não sabia o que iria lhe  acontecer. Sabia que a madrinha ia arranjar-lhe um trabalho, e que ela tinha que estudar  um  pouco  mais,  assim  dissera-lhe  Jandira.    Rolou na cama, estranhou o colchão, não era igual ao seu, lá no sítio em Santana da Serra. Acabou dormindo.
                                    continua....

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google         


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