ARTE DAS LETRAS

quarta-feira, 22 de julho de 2015

CONTOS QUE TE CONTO - O JANTAR - 1a.Parte

CONTO
                                       O JANTAR

                                                       1a. Parte


           Ele era um tipo brilhantina. Era cheio de rapapés,
cheio de poses e falação. Trabalhou de garçom por bom tempo num restaurante médio - nem chique nem  pé- sujo - o tempo bastante para lhe dar um certo traquejo, só isso.  Agora Cristionor - era assim que se chamava - deixou o uniforme de garçom, passou a usar terno e gravata.  Estava trabalhando numa grande loja de roupas masculinas.
         Ela era bonitinha e gostosa.  Toda a loja de olho nela. Como se sabia assim, não dava bola e fazia jogo duro com todos. Saiu da expedição de embrulhos e passou a trabalhar no Caixa da loja.  Bela promoção.  Do Céu se sentia o sucesso da hora. Seu nome era Maria do Céu, mas todos a tratavam como: Do Céu.

          Cristionor já vinha de olho em Do Céu fazia um tempinho. Sempre inventava um jeitinho de chegar perto do Caixa e dar uma palavrinha com a moça.  Como ele era de falar e mostrar gentileza, fazia isso com a maior facilidade.  Do Céu sorria e foi ficando mais e mais acessível aos papos do rapaz.  Agora já conversavam, riam e até saíam na hora do almoço para tomar um cafezinho, pois a moça levava marmita. Ela almoçava na copa, uma salinha que ficava bem na entrada do estoque. Ele almoçava na rua, numa lanchonete que servia pratos rápidos em balcão, com todos cliente sentados em tamboretes.

          Um dia, Cristionor convidou Do Céu para almoçarem  na tal lanchonete.  Combinaram o almoço para o dia seguinte, a moça não traria a marmita, e iriam  almoçar  fora.  No dia combinado, saíram para o almoço.  Cristionor ia que era todo atenção com Do Céu.  Foi diligente em se posicionar na beira da calçada e conduzir a moça no canto da mesma, isso significava proteção.  O cavalheiro que protegia a dama. Bons tempos!   Mas nosso casal chegou à lanchonete, sentaram e escolheram um filé com fritas, arroz e feijão.  Para beber, um suco de maracujá.  Cristionor notou que Do Céu se atrapalhava com a faca e o garfo num troca troca para cortar o bife e voltar a comer.  Cristionor dominou a conversa, falou do filé, que  podia ser mais macio, falou das batatas que achou muito encharcadas de óleo. Disse que, ali,  a comida era de uma maneira geral boa e ainda ficava pertinho do trabalho.   Do Céu sacudia a cabeça concordando com o colega, não podia falar, estava comendo sem parar.  Enfim terminaram o almoço.  O rapaz teve a infeliz ieéia de pegar um palito e sair à rua de palito na boca, falando como sempre.  Do Céu levava com todo cuidado um pacotinho com sobremesa que preferiu não comer na lanchonete, e pediu à garçonete para levar para comer à tarde no trabalho. Realmente os dois faziam um belo par!

                                                                      continua...

by Didi Leite
Ilustração Imagem Google


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