ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 30 de junho de 2015

POESIA - A CIRANDA DO TEMPO E DOS RELÓGIOS


     A CIRANDA DO TEMPO E DOS RELÓGIOS
                    
Um relógio marca a passagem do tempo.
Mas o tempo passa vindo da onde?
Ignora-se.
O tempo não existe.
Ele é fruto da necessidade humana
de contar, registrar,
buscar  se orientar.
De uma nasceu outra.
Como marcar e orientar-se?
Criou-se o relógio.
Vários.
Da ampulheta ao relógio atômico.

O homem não se satisfez
Com o que a natureza lhe deu,
uma sequência natural
de alternância de claro escuro,
- dia e noite -.

Na antiguidade e hoje
no campo, o homem da lida
sabe que o sol a pique
sobre sua cabeça lhe dá a metade do dia.
Lua e estrelas:  Noite inteira.
O clarão na barra do horizonte:
Aurora! O dia começa!
O mergulho do sol no oeste:
Ocaso! Fim do dia!
Sete luas conta de índio.
Sete dias:  Uma semana.
E ainda as quatro estações,
que demarcam o tempo de um ano.


Mas o mundo moderno precisa contar!
Marcar, desmarcar e datar:
Negócios, dinheiro!

Os relógios marcam tudo.
A hora de nascer,
a de morrer,
a hora da escola,
do brincar,
do trabalhar,
de comer,
do lazer,
de dormir,
do assalto,
do crime,
da higiene,
de namorar,
de amar,
e até de desamar!
Dos encontros e desencontros,
dos duelos e confrontos,
tudo se faz com o tempo marcado,
na hora pré determinada.

Como seria a vida sem hora,
sem relógios, sem data,
sem nada marcado?
Como foi, por que assim um dia foi?!
Livre!


 O homem seria livre!
Sem tempo, sem relógio,
entra em cena o acaso.
Será o acaso um atalho
disfarçado do tempo?

Todos somos escravos do tempo,
tempo que inventamos.
O tempo serve de mote
para histórias e para contar a história.
Mas fora do tempo objetivo
e dos relógios objetos,
há o tempo subjetivo.
Tempo de relógios figurativos!
O catalão surrealista com
relógios moles bem os mostrou.
Dizem os poetas populares:
O tempo não para!
Quem sabe faz a hora!
E o escritor: A hora e a vez...
Os ditos populares:
A hora da onça beber água,
na hora H,
o balanço das horas,
à parturiente, que tenha uma boa hora!
Quem finge que trabalha, faz hora!
Ao moribundo, sua hora chegou!
A hora é agora ou nunca!
O tempo e o relógio se integraram para sempre à vida!

Não foi em dado momento
que houve o início de tudo?
- Big Bang –
Aí, não se precisa o tempo,
mas já se pensa nele,
porque momento é outro nome do tempo.

estamos cercados de relógios,
no pulso, no bolso, nas paredes,
na cabeceira da cama, nas torres dos edifícios,
nas gares das estações, nos saguões dos aeroportos,
nos terminais dos ônibus,
nas lojas, nas escolas, nas igrejas,
nos televisores, nos vídeos,
nas câmeras, nos rádios,
nos carros e nos celulares!
E até no nosso corpo,
pois vemos nos espelhos a
ação do tempo a nos desgastar.


Eles convivem com a gente,
a gente integrado com eles,
e já não saberíamos
sem eles vivermos.
De todos os tipos,
de todas as formas,
de todos os tamanhos.
A qualquer hora, todas as horas,
há um relógio a nos espiar,
ou a se mostrar para os
espiarmos!

Que horas são?
Que horas foi isso?
Que horas será isso?

E das horas chega-se às datas!
Pronto ! Entramos no compasso da marcação total!
Marcação do tempo pelas datas.
Via de mão dupla.
Quando  nasceu?
Quantos anos já se passaram?
Quando  morreu?
Quantos meses tem o bebê?
Quando começou a falar?
Quantos dias faltam para a viagem?
Quando vão voltar?

E assim aonde vamos chegar? 
Dentro desta ciranda de relógios,
De datas, dias e horas?
E nem falamos dos minutos!
sequer dos segundos...
Que dirá do fim do mundo!
Porque ele, certamente, vai acabar,
quando um dia o sol se apagar.
Aí, não haverá mais tempo para contar,
porque ninguém mais aqui estará!  

by Didi Leite

Ilustração Imagem Google


 






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