ARTE DAS LETRAS

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

POESIA - ALVORADA



      ALVORADA

Desculpe-me, poeta, mas cantos de galos,
Daqui, dali e de acolá, sozinhos não tecem uma manhã.
É necessário mais que isso,
Que na barra do horizonte
O rei se levante,
Disco fumegante amarelo rosado acenda o dia.


Que o frescor e a névoa do fim de madrugada se dissipem
Por entre vales e montes.

Que pássaros comecem seus pios e chilreios, esvoaçando
De seus ninhos em busca de alimento para seus filhotes
Famintos  que piam tremulantes,

Que as flores comecem a abrir suas pétalas,
Como sorriso infantil,

Que pés desnudos trilhem o caminho para a labuta,
Que o aroma do pão quentinho invada
As cercanias dos fornos ardentes,

Que o delicioso cheiro de café se espalhe pelas janelas
 Das cozinhas e perfume o ambiente familiar,

Que bebês chorem famintos por seus leitinhos,
Que a criançada, uma a uma, vá surgindo no terreiro,
Travessas como cabritinhas maluquinhas.

Que florzinhas do campo vicejantes, rasteiras sintam
O toque suave das abelhas sugando seu néctar.


Tudo isso orquestrado
 por uma sinfonia de galos,
se alternando como
tecelões de cantos mil
anunciando a manhã.
Pronto,  raiou o dia!
Teceu-se a manhã!

by Didileite
Ilustração Imagem Google



Nenhum comentário:

Postar um comentário