ARTE DAS LETRAS

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

CONTOS QUE TE CONTO - A CARTA - Parte FINAL



CONTO
                                          A CARTA

                                               
                                                                Final

                                                                ...continuação
Regina, seja quem for que fez este jogo sujo com nós três, agora não vai mais encontrar espaço para continuar.  Espero que você seja feliz!

No final desta semana, Sonia começou a despachar sua mudança para sua casa em Maricá.  Os carregadores foram tirando as coisas e levando para o caminhão de mudanças. Sonia estava sentada num cantinho que restara da poltrona da sala, quando um dos carregadores chegou e perguntou-lhe:
- Senhora, esta máquina de escrever velha é para embalar também?  Ela estava lá no chão sem proteção nenhuma.
Sonia olhou para a velha máquina e disse sorrindo:
- Não.   Esta máquina eu comprei  num antiquário   para fazer um
trabalho.  Não preciso mais dela.  Isso vai para o lixo.
- Ah! Se vai para o lixo, posso levá-la comigo no caminhão?  Vou desmontar e vender as peças num ferro velho.
- Pode levar.  Dê fim a ela. Ela já teve a sua utilidade.

Finalmente, os carregadores levaram os últimos móveis de Sonia
para o caminhão de mudança.  Ela fechou a casa e ligou para alguém no seu celular: - Oi! Sou eu Sonia. Posso encontrá-lo, agora, lá naquela lanchonete?  Estou saindo de casa, daqui a vinte minutos chegarei lá.  Está bom!  Até já!

Sonia chegou à lanchonete e a pessoa que a esperava estava sentada em uma cadeira de uma mesa bem de frente para a porta. A moça entrou e cumprimentou a pessoa:
- Boa tarde, seu Clemente!
- Boa tarde,  dona Sonia!   Eu não posso demorar muito, pois meu
colega ficou lá no meu lugar para eu vir aqui.
- Não vamos demorar, seu Clemente, eu só queria me despedir do senhor e agradecer tudo o que o senhor fez. Estou de mudança desta cidade.

- Bem, eu só fiz o que a senhora me pediu, porque a senhora me disse que era para o bem da dona Gislene, e ela é como uma mãe para a gente lá em casa.  Não quero que nenhum mal aconteça a ela. Uma senhora tão boa, de coração tão bom! Olhe, o seu celular está aqui, trouxe para lhe devolver.

- Nada disso, seu Clemente, pode ficar com o celular ele é seu. Comprei para o senhor. Era para nos falarmos quando precisasse lhe avisar alguma coisa. Não se preocupe com dona Gislene, nada mais vai acontecer de mal com ela, com a família dela. Agora está tudo em paz.  Eu só precisava que aquele envelope não chegasse às mãos dela. Por isso, pedi ao senhor que quando recebesse um envelope pardo, endereçado a ela, com letras pretas  grandes, o senhor separasse para mim, que eu vinha aqui buscar.  Isso  evitou uma grande tristeza e infelicidade para a dona Gislene, de quem o senhor gosta tanto.  Isso deve ficar para sempre em segredo, seu Clemente.  Mais uma vez muito obrigada pelo grande favor que o senhor nos fez.  Estou indo embora.  Olhe, não se ofenda, mas quero deixar com o senhor este envelope. Dentro tem uma pequena quantia para o senhor comprar qualquer coisa para os meninos.

- Que isso, dona Sonia?!  Não precisa se incomodar... 
Dito isto, Sonia levantou-se, deixou o envelopinho sobre a mesa em frente ao homem, apertou-lhe a mão e foi embora.
Já no seu carro, Sonia ia com a sensação de dever cumprido.  Pediu para o porteiro interceptar aquela carta, evitando assim uma infelicidade no lar de Gislene.  Pensou em Regina e sentiu certo desprezo pelas atitudes egoístas e baixas que ela tomou.  E Renato um homem tolo e aventureiro, que expôs seu casamento sem pensar nas consequências.  Mas ela fez o que achava que era certo. Carta anônima para uma pessoas inocente?    Isso jamais ela
aceitaria. Veneno de cobra se cura com veneno de cobra, não é assim que dizem?  Contra a infâmia de uma carta anônima, só outra carta anônima, melhor dizendo muitas outras cartas anônimas.

                                           FIM     

by Didileite
ilustração Imagem Google




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