ARTE DAS LETRAS

domingo, 28 de setembro de 2014

CONTOS QUE TE CONTO - A CARTA - 7a. Parte



Conto
                                           A CARTA

                                                       7a.Parte

                                                                                  .... continuação


- Que maluquice é esta de vir aqui em casa? Já não chega a confusão que estamos metidos? Querem arrumar mais rolo?  Querem que a Gislene desconfie de alguma coisa?
- Deixe de ser bocó, Renato! Amanhã a gente se fala.
As duas saíram sem obter qualquer pista. Regina se mordendo de ciúmes ou inveja de Gislene, porque eles iam  jantar  fora àquele noite.  Sonia achava tudo aquilo um tremendo absurdo, e já começava a dar mostra que já estava se cansando desta história de cartas anônimas.

Nas semanas que se seguiram, Regina tentou encontra-se com Renato, mas este sempre dava uma desculpa para escapar dos encontros.  Sonia estava mais quieta em casa, estava pensando em passar uns dias na sua casa de Maricá. Foi então, que Regina teve a ideia de aparecer na casa de Sonia para conversarem sobre a situação deles três. Sonia não deu mostras de se alegrar com a visita de Regina.
- Sonia, acho que estas cartas são só para nos assustar. A melhor coisa a fazer é não ligarmos.  Só o Renato é que parece que está se aproveitando da situação para encerrar o nosso caso.
- Regina, eu não sei o que dizer.  Hoje recebi uma mensagem no meu celular.  Alguém me chamando de falsa. Quer saber?  Já estou ficando saturada disto tudo. Semana que vem vou passar uns dias fora.  Vou descansar minha mente.
Nesse meio tempo, o celular de Regina tocou, a moça atendeu e era Renato, o homem estava espumando de raiva:
- Regina, assim não dá! Hoje recebi uma mensagem pelo celular com ofensas baixas.  Vou fazer um BO, vou à polícia!  Isto tem que parar.  A coisa já está chegando no meu trabalho.  Imagine que  está  mensagem  me  chegou   quando  eu  estava  em    plena reunião com os gerentes de vendas!
Dito isto, Renato desligou o telefone.  Regina teve uma crise de choro.  Era um choro nervoso. Sonia, prontamente, ajudou a amiga a se recompor oferecendo-lhe um copo com água.
- Sonia, já são 15 cartas!  E agora, mensagem por celular! O que essa pessoa, ou pessoas querem?  Isso abalou meu caso com o Renato, sinto que não há mais caminho para a gente manter o nosso romance. Tenho um profundo arrependimento daquela carta anônima que inventei para apressar o término do casamento do Renato com a Gislene. Mas o Renato vinha me enrolando há mais de dois anos com esta história que ia se separar da Gislene, que o casamento deles havia acabado, que ele queria construir uma vida comigo... E vai por aí afora como você sabe. Só que ele não movia uma palha para se separar da mulher, então tive essa ideia maldita... E agora está sobrando para todos nós. 
- Regina, vou passar uns tempos fora. Não tenho nada que me prenda aqui.  Ninguém tem meu endereço em Maricá.  Talvez, até venda aquela casa e compre outra em outro lugar e aí ninguém mais vai me envolver neste caso, aliás eu não tenho nada com nada. Seu caso  com Renato é coisa de vocês.

No dia seguinte, Renato marcou encontro com Regina num restaurante bem conhecido e a vista de todos.  Regina estranhou que Renato não quisesse se resguardar, mas foi ao encontro.  Avisou a amiga Sonia que iria almoçar com Renato naquele dia.

Os dois encontraram-se e Renato disse a moça:
- Regina, eu penso que é melhor darmos por encerrado nosso caso.  Para mim não dá mais para continuarmos. Minha mulher, a Gislene, não merece passar por todo esse vexame.  Vou mostrar todas estas cartas para ela e dizer que não houve nem há nada entre nós dois.  Se houver mais cartas, eu nego até morrer, e é claro que a minha mulher vai acreditar em mim.   Nego,  nego  até morrer.    Gosto da Gislene.   Penso  que  nós  dois nos  deixamos levar por um entusiasmo de momento.  Eu não quero destruir minha família.  Tem meu filho que já está ficando um adolescente e não quero complicar a cabeça do garoto.  Nós três éramos felizes e eu quero continuar com a minha família.  Isso tudo foi bom para eu aprender que um casamento não se desfaz assim de repente. Você é nova, é bonita e deve seguir sua vida.  Foi tudo uma grande ilusão que entramos sem medir as conseqüências.  Você me desculpe toda a minha franqueza, mas não há mais clima, vontade e sentimento que nos unam.
Regina ficou engasgada e magoada com a rapidez com que Renato acabou o caso deles.  Mas ela não ofereceu resistência.  Concordou com Renato dizendo:
- Eu o compreendo!  Eu estou tão cansada desta história toda! Penso que se houve amor entre a gente, ele era pequeno e se foi neste primeiro obstáculo. Também quero ficar sozinha, sem falsas promessas, sem medos, com liberdade para ir e vir com quem eu quiser, sem ter que me esconder, viver um amor de verdade. Vou tirar umas férias do trabalho e dar uma arejada na cabeça.

- Regina, seja quem for que fez este jogo sujo com nós três, agora não vai mais encontrar espaço para continuar.  Espero que você seja feliz!

                                                          continua.....
by Didileite
Ilustração Imagem Google


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