ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 29 de julho de 2014

CONTOS QUE TE CONTO - O VESTIDO - 1a.Parte


CONTO
                             O VESTIDO

                                                     1a. Parte

                  -Oba!  Oba! Desta vez não sou eu que vou para Angra!  Dona Cleide falou que quem vai é a Geralda. Graças a Deus não tenho que ir! 
Assim, entrou na cozinha Teresinha, uma das empregadas da família, falando para o motorista que tomava um café. Sempre que a família ia para Angra dos Reis ou para Friburgo, Cleide levava uma das empregadas junto.
- É, para mim não tem jeito, quem vai levar sou eu, tenho que dirigir.  Mas eu gosto, lá quase não há nada para fazer. Angra é um lugar bonito, tiro um descanso. Disse Airton, o motorista da família.
- A Geralda parece que não se importou, não. Ela gosta desses passeios.  Também, ela não tem nada que prenda ela por aqui mesmo. Ah! Eu não! Quero ir ao baile lá do clube, vai ter concurso de dança, concurso de elegância e muita animação. Não quero perder esse baile, não.
- Você gostou da dona Cleide ter me chamado, não é Teresinha?
Disse Geralda, chegando com a bandeja em que servira água à patroa.
 - Poxa! Geralda, eu já fui um montão de vezes, agora dá um tempo!  Quero aproveitar esse feriado e arrumar minha roupa para o baile lá do clube.
- Teresinha, você já fez seu vestido para esse baile? Você só fala nesse baile... Perguntou o motorista.
-  Que nada, Airton! Tenho que me virar e arranjar uma roupa bem legal, ainda mais que a bestinha da Maria de Fátima, me disseram, fez até crédito para comprar roupa. Não posso dar mole, não posso ir chinfrim!
Os três estavam nesta conversa quando a governanta entrou na cozinha e os encarou séria. Airton foi logo saindo para o jardim, Teresinha foi lavar uma pequena louça e Geralda encarou Carmem perguntando se queria alguma coisa. A  governanta disse apenas, que  queria  saber dos preparativos para o almoço.
- Carmem, está tudo em ordem. O Almoço vai ser servido na hora certa, como dona Cleide quer.  Disse Geralda.
Os criados não gostavam de Carmem, pois achavam que ela era dedo duro e vivia espionando para fazer queixas à patroa. A casa tinha cinco empregados fixos: Geralda e Teresinha eram da cozinha; Airton, o motorista; Jorge, o jardineiro e Carmem, a governanta.  Ainda havia duas faxineiras, diaristas,  que vinham apenas para limpeza e arrumação, a lavadeira e uma passadeira que passava toda a roupa da casa.

           Na quinta-feira à tarde, a família foi para Angra dos Reis. Nessa viagem foram o marido, Bartolomeu, a mãe, Cleide, as duas filhas, Rosita e Laurinha.  No carro do  filho Paulo Cesar, foram sua namorada  e os namorados das irmãs. Enfim foram.

           O serviço na casa continuou normalmente, tendo a fiel ¨escudeira¨, Carmem, a tomar conta de tudo. Teresinha estava na cozinha acabando o jantar, pouca coisa, só para os empregados, quando lhe veio à cabeça uma ideia, pensou:
 - Bem que eu podia pegar um vestido da Rosita emprestado para ir ao baile do clube. Ela nem ia saber.  O baile é domingo, eles só voltam na segunda-feira. Eu chego cedo, ponho o vestido lá no lugar e pronto. Ah! Se eu fosse com um vestido daqueles, eu ganhava o concurso de elegância, não ia ter vestido mais bonito e chique que o meu. Aí, a Maria de Fátima ia ficar chupando o dedo com seu vestido de crediário...  
Essa ideia ficou no final de tarde martelando na cabeça de Teresinha. Acabou de cozinhar, apagou o fogo e resolveu ir ao quarto de Rosita dar uma espiadela nos vestidos da moça. Já ia subindo as escadas para o andar dos quartos, quando Carmem do pé da escada perguntou: 

                                                         continua...

by Didileite
Ilustração Imagem Google


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