ARTE DAS LETRAS

terça-feira, 24 de junho de 2014

POESIA - ERA UMA VEZ UMA CASA



ERA UMA VEZ UMA CASA

Era uma casa toda verdade.
Dos cantos saltava felicidade,
que enchia os que ali viviam.
Felicidade que não viam.
Viviam!
Ninguém duvidava,
ninguém perguntava,
porque eles eram as pedras
daquele castelo de sentimentos.

Harmonia desde o coração da casa
- a cozinha -
até a externa pele
- a varanda -
Iam e vinham e não se davam conta
das arestas, aclives e declives  do viver.
Galgavam os dias,
celebravam as datas.
Lágrimas?
Algumas!
Alegrias?
Muitas!
Que o digam os risos e sorrisos.
  
O tempo os engolia,
os amadurecia.
Palmilhavam caminhos  tantos
e não se deram conta
que uns envelheciam,
outros  se independiam.
A casa se gastando,
o uso carcomendo a pintura,
as paredes, as portas, as janelas,
os móveis e até as fotografias.

Foi se indo um,
depois mais um
e mais outros.
Quem restou a vista turvou
mas,  memória revisitou
numa música,
num almoço,
numa ceia de Natal,
nas coisas banais.
Um passado bem vivido.

Vozes ecoavam  de conversas
entrecortadas de risos.
Que tempo era aquele?
Tempo igual ao da mancha
no piso de entrada da sala.
Que mancha era aquela?
Há quantos anos ali estava?
Viu e ouviu  todos que por  ela passaram.
Não se sabe quem manchou
aquele chão.

Cortinas surradas,
tapetes puídos,
cadeiras usadas,
mas as janelas, mesmo gastas,
se abriam em par
todos os dias
e o sol invadia com vontade
aquela casa de uma gente
de verdade.

by Didileite

Direitos Autorais registrados na Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Copiar e plagiar obra alheia é crime previsto em lei.

Ilustração Imagem Google



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