ARTE DAS LETRAS

sábado, 28 de junho de 2014

CONTOS QUE TE CONTO - Os Pedidos de Um Livrinho -


CONTO INFANTIL

                Os Pedidos de Um Livrinho

                                                  2a.Parte 

                                                                         ... continuação


A professora disse:
- E você, Julinho, agora, vai sentar aqui na primeira fileira de carteiras, ao lado da  Daniela.   Pegue seu material e pode vir sentar aqui na frente.
Julinho não gostou da mudança,  ficou chateado. Pegou seus cadernos, livros, caneta e a mochila,  e lá se foi para frente. Sentou ao lado de Daniela e ficou calado.   


Daniela ficou olhando Julinho colocar seu material em cima da carteira.  Ela ficou admirada com o desleixo daquele material, mas o que mais chamou sua atenção foi o estado feio em que aqueles livros se achavam.
 Julinho, por sua vez, deu uma olhadela  para os  livros da  menina  que estavam  arrumadinhos no canto da carteira.    Os livros estavam encapados e limpinhos, como se  fossem novos.  Imediatamente, Julinho olhou para os seus e sentiu uma certa vergonha.  Comparou os seus livros com os
dela e ficou mais chateado ainda.

Os dois não conversaram nada durante a aula. Na hora do recreio, o menino correu para junto dos colegas, dos quais fora separado pela professora.  Apenas comentou com os colegas que  os livros de Daniela pareciam novos, nem pareciam que eram usados.  Os colegas riram disso. 
 Julinho estava muito sem graça com toda aquela mudança.  Não podia mais conversar com seus colegas de sala, aquela garota era muito de cheia de coisa, fazendo anotação no bloco separado, suas coisas eram muito arrumadas, parecia que ela era de vidro.  Garota chata, isso é o que ela era, muito chata.
Quase no fim da aula, a professora mandou que fizessem como dever de casa a leitura do livro de Geografia, na página sobre o rio São Francisco e, depois, uma dissertação sobre o texto.  Era para ser entregue na próxima aula.  Julinho pegou o livro de  Geografia, abriu na página pedida e escreveu acima do título:  - ler e fazer dissertação para próxima aula-.  Daniela pegou seu bloco de anotações e escreveu a mesma coisa. Julinho ficou olhando e pensou: - ela anota separado o dever de casa. Menina boba, assim vai esquecer.  Melhor faço eu que anoto no próprio livro-.

                                             

Daniela encontrou com as amiguinhas no fim da aula e contou que o menino Julinho era muito descuidado, escrevia na página do livro.  Não fazia anotação nenhuma no seu bloco de notas.    E seus livros e cadernos eram muito maltratados.
 Mas com o passar do tempo os dois foram se entendendo, e até conversavam no intervalo das aulas.  Certo dia, Julinho perguntou a Daniela:
 - Por que seus livros parecem novos, você não os lê nunca?    Não estuda neles?
Daniela respondeu:
- Leio e estudo.  É que sempre uso capas nos meus livros e  cadernos, não escrevo nada em suas páginas. É para isso que a professora pediu que todos nós tivéssemos o bloco de  anotações.  Deveres de casas e datas anoto no bloco, livros só para ler e estudar, e os cadernos para escrever os deveres. Faço assim, pois minha irmã mais nova vai estudar nesse livro também. Tenho que tratar com cuidado meus livros para que estejam sempre limpos e possam ser usados por outras crianças. Depois,  eu acho muito feio ter o material escolar amassado, rabiscado ou sujo.  Aprendi a fazer assim e assim faço, fica mais bonito. Julinho concordou, não tinha nada a dizer. Apenas ficou  mais e mais envergonhado dos seus livros.

   Um dia, cansado, Julinho começou a ler e adormeceu  com  o livro  aberto  sobre  a  barriga.  Pegou  no  sono mesmo.  E sonhou. Sonhou que estava chegando na escola e ouviu vozes vindas lá da sala perto da biblioteca.  Ele foi andando, andando e  viu uma sala cheia de livros.  Eram livros sobre mesas, estantes, uns empilhados no chão.  Parecia um depósito de livros. Alguns estavam arrumadinhos em pilhas, outros espalhados. Outros  abertos sobre a mesa. Nesta mesa havia, ainda,  um vidro de  cola, tesoura, papéis cortados em tiras, linha, agulha grossa, borrachas  e uma flanela.  Julinho pensou: - o que será isso? Para que  servem todas essas coisas?  E todos esses livros? Não são novos,  são livros usados.


        -   Parecia que todos aqueles livros estavam doentinhos.  -
Lá num cantinho, havia um livrinho Azul que olhava tudo,  e  para todos aqueles livros com muita pena, e certa dor no seus coraçãozinho.    Pensava ele:
                                                                 
                                                               continua...

 by Didileite
Direitos Autorais registrados na Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
Copiar sem autorização ou plagiar obra alheia é crime previsto em lei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário