ARTE DAS LETRAS

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

POESIA - COTIDIANO DA LABUTA

POESIA

                            COTIDIANO DA LABUTA             
As portas se abrem.
Fim da viagem.
Povo que salta,
aos magotes na gare.

A barca atraca no cais.
Lá vem o povaréu,
como procissão saindo
rumo à cidade.

Ponto final.
Ônibus abrindo portas e ali,
só desce um por vez..
Ligeiro, livre daquele cativeiro.

Cotidiano!

Cada qual no seu passo
Busca ansioso o rumo
Do trabalho!
Olhados assim parecem
Desprovidos de ideias
Tal a mecânica diária.
Repetitiva!
O sol nascendo, início de jornada,
Para aquele povo que salta como
Pipoca em óleo quente.
Mochila, bolsa, pasta ou embrulho,
O almoço que ali vai sacolejando!

Esse turbilhão de gente,
Quase correndo,
Que todos os dias é lançado
Nas estações, é trabalhador!
Povo mal dormido!
Povo mal alimentado!
Povo mal remunerado!
E o patrão não espera,
O governo não considera,
A vida não refrigera,

Labuta!

Mãos calejadas.
Pés cansados.
Mentes que sonham
Sonhos rasinhos, pequenos.
Não há como imaginar grandeza,
quando a pobreza não dá horizonte.
E a alma é sempre carente.
Alegria pra essa gente
É uma cerveja, um amor e um samba
De batida quente.
Pelada na várzea,
Criançada correndo,
Pipas coloridas cruzando os céus,
Almoço aos domingos, fora,
Mesa no quintal.
Fim de semana!
À noite deitar pensando no dia seguinte.
Madrugar do sono,
Um gole de café no copo de geléia,
Correr pra condução
Rezando pra ela não atrasar.

Essa vida é uma bola de papel marché,
Colado pedaço a pedaço,
Dia após dia.
O tempo correndo nas linhas da vida,
o trem nos trilhos que cortam a cidade,
a barca que singra as águas da baia suja,
o ônibus que atravessa bairros distantes.
E todo mundo rolando com esta bola de papel
E dizer que tudo isso
para no final ver a cor
De um mísero salário.
Alguém sempre será pobre,
Para que outro seja eternamente rico

- Vida miserável! -

Viagem que cansa
Mais que o trabalho em si.
E a noite tudo se refaz
Até no longínquo chegar.

 - Dormitório! -

Esta gente dá lição de vida,
Para eles não há depressão.
Vivem a vida com o que ela lhes dá.
Têm bom humor,
Inventam piadas
Em cima de desgraças,
Não têm ilusões.
Algumas superstições.
Apostam na sorte
Jogam na loto
Torcendo para ganhar os milhões!

 - Otimismo! -

São felizes cada qual a seu jeito,
De acordo com seu feito.
São eles os que realmente carregam este país!



Vida de gente!
Gente de fé!
Fé inabalável ante as desgraças
Nas vicissitudes,
a natureza não colabora!
Têm seus santos de devoção,
Seus padroeiros,
Missas, rezas, terços, ladainha
Romaria e procissão.
E ainda cortejam os orixás,
Fazem simpatias e carregam patuás!
Sempre selam suas palavras,
Diante de acidentes e catástrofes:
- ¨Graças Deus, o senhor nos protegeu,
Tenho fé em Deus e na Virgem Maria¨.
A crença e a fé vicejam nesses corações.

 - Esperança! -

Fim do sono,
Pula da cama,
Mais um dia começa,
Uma nova jornada
Desse povo que trabalha
Com as bênçãos de Deus!






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